Proposta de intervenção no ENEM: como fazer uma conclusão nota 1000
A proposta de intervenção do ENEM é a iniciativa apresentada pelo participante para enfrentar o problema discutido na redação. Ela é avaliada na Competência 5, que vale até 200 pontos, e precisa respeitar os direitos humanos, relacionar-se ao tema e manter coerência com os argumentos desenvolvidos.
Não basta terminar o texto com frases como “o governo deve tomar providências” ou “a sociedade precisa se conscientizar”. Uma intervenção de alto nível torna explícitos a ação, o agente responsável, a forma de execução, o efeito pretendido e algum detalhamento capaz de tornar a iniciativa mais específica.
Neste guia, você aprenderá a planejar esses elementos a partir dos problemas apresentados no desenvolvimento, distinguir propostas vagas de propostas produtivas e construir uma conclusão completa sem depender de modelos decorados.
Para construir uma proposta consistente, verifique se ela:
- apresenta uma ação interventiva explícita;
- responde a um problema efetivamente discutido;
- indica um agente capaz de executar a ação;
- explica como a iniciativa será realizada;
- define o efeito ou a finalidade pretendida;
- acrescenta um detalhamento pertinente;
- respeita os direitos humanos;
- mantém articulação com a tese e os argumentos.
O que é a proposta de intervenção do ENEM?
Intervir significa apresentar uma iniciativa que busque enfrentar a situação-problema delimitada pelo tema. A proposta não precisa prometer a eliminação imediata de uma questão social complexa; ela deve indicar uma medida plausível que contribua para reduzir, prevenir ou combater o problema analisado.
A Cartilha do Participante destaca que a intervenção deve estar integrada ao projeto de texto. Isso significa que a conclusão não pode introduzir uma solução para um problema que não apareceu anteriormente nem contradizer o diagnóstico construído nos desenvolvimentos.
Intervenção desconectada:
O texto discute falta de educação midiática, mas a conclusão propõe apenas aumentar o policiamento.
Intervenção articulada:
O texto discute falta de educação midiática e propõe formação para leitura crítica de informações.
Correção importante: a proposta costuma aparecer na conclusão porque essa posição facilita o fechamento do projeto de texto. Entretanto, a Competência 5 avalia a proposta presente na redação, e não uma fórmula fixa de último parágrafo.
Como a Competência 5 é avaliada?
A nota não depende apenas da presença de determinados termos. O avaliador observa a composição da proposta, sua relação com o tema e sua articulação com a discussão desenvolvida.
| Pontuação | Descrição geral do desempenho | Problema mais provável |
|---|---|---|
| 200 pontos | Proposta muito bem elaborada, detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão. | Atendimento pleno à Competência 5. |
| 160 pontos | Proposta bem elaborada, relacionada ao tema e articulada à discussão. | Detalhamento ou composição menos desenvolvidos. |
| 120 pontos | Proposta elaborada de forma mediana, relacionada e articulada. | Elementos pouco específicos ou insuficientemente explicados. |
| 80 pontos | Proposta insuficiente, relacionada ao tema ou não articulada à discussão. | Iniciativa incompleta, genérica ou desconectada dos argumentos. |
| 40 pontos | Proposta vaga, precária ou relacionada apenas ao assunto. | Medida abrangente demais, sem responder ao recorte temático. |
| 0 ponto | Ausência de proposta ou proposta sem relação com o tema ou o assunto. | Não há iniciativa reconhecível ou pertinente. |
O tangenciamento do tema, avaliado na Competência 2, também limita o desempenho na Competência 5. Por isso, compreender exatamente o recorte da proposta é o primeiro passo para formular uma intervenção pertinente.
Quais são os elementos da proposta de intervenção?
Uma estratégia pedagógica eficiente consiste em decompor a intervenção em cinco elementos. Eles não devem ser inseridos como palavras soltas: precisam formar uma iniciativa coerente.
| Elemento | Pergunta respondida | Exemplo |
|---|---|---|
| Ação | O que deve ser feito? | Implementar um programa de educação midiática. |
| Agente | Quem executará a ação? | Ministério da Educação e secretarias estaduais de Educação. |
| Meio ou modo | Como a ação será realizada? | Por meio de módulos curriculares, oficinas e formação docente. |
| Efeito ou finalidade | Para que a ação será realizada? | Para ampliar a capacidade de verificar fontes e conteúdos digitais. |
| Detalhamento | Que informação torna a proposta mais específica? | Os módulos devem trabalhar autoria, evidências e funcionamento dos algoritmos. |
A ação é o núcleo da intervenção. Sem uma ação reconhecível, os demais elementos não formam uma proposta. Dizer apenas que “faltam investimentos” constata um problema, mas não expressa claramente o que deve ser feito.
1. Ação: o que deve ser feito?
A ação é a iniciativa proposta para interferir no problema. Ela costuma ser expressa por um verbo que indique atuação concreta, como criar, ampliar, fiscalizar, financiar, capacitar, regulamentar, oferecer ou implementar.
Constatação:
Faltam investimentos em educação midiática.
Ação explícita:
O Ministério da Educação deve financiar um programa nacional de educação midiática.
Expressões condicionais ou excessivamente abstratas podem deixar dúvida sobre a existência da intervenção. Prefira afirmar diretamente a iniciativa defendida.
2. Agente: quem possui competência para agir?
O agente é a instituição, o grupo ou o ator social responsável pela ação. A escolha deve considerar competência e alcance. “Governo”, “mídia” e “sociedade” podem ser agentes, mas frequentemente são amplos demais quando não recebem nenhuma delimitação.
| Problema | Agente possível | Justificativa |
|---|---|---|
| Formação escolar | Ministério da Educação e secretarias de Educação | Coordenam e executam políticas educacionais em diferentes níveis. |
| Defesa do consumidor | Secretaria Nacional do Consumidor | Atua na proteção e na orientação das relações de consumo. |
| Saúde preventiva | Ministério da Saúde e secretarias municipais de Saúde | Planejam políticas e realizam atendimento local. |
| Proteção de direitos | Defensoria Pública, Ministério Público ou órgãos especializados | Possuem atribuições diferentes, que devem corresponder à ação proposta. |
| Práticas comunitárias | Escolas, associações, famílias ou organizações sociais | Podem mobilizar públicos específicos e atuar no cotidiano. |
Evite o agente universal: atribuir todas as soluções ao “governo federal” pode produzir incoerência. Pergunte qual instituição possui instrumentos, alcance e responsabilidade compatíveis com a ação escolhida.
3. Meio ou modo: como a ação será executada?
O meio apresenta o instrumento, o procedimento, o canal, o recurso ou a estratégia usados para executar a ação. Ele deve tornar o funcionamento da iniciativa compreensível.
- por meio de formação continuada dos profissionais;
- mediante financiamento público condicionado a metas;
- com a criação de equipes multidisciplinares;
- a partir de oficinas presenciais e materiais digitais acessíveis;
- por intermédio de canais de denúncia e acompanhamento;
- com divulgação em escolas, unidades de saúde e meios de comunicação.
“Por meio de campanhas” pode funcionar como modo, mas ainda é pouco informativo se o texto não disser qual será o conteúdo, o público, o canal ou a dinâmica da campanha.
4. Efeito ou finalidade: qual resultado a ação pretende alcançar?
A finalidade explicita o objetivo da ação; o efeito indica o resultado esperado. Em ambos os casos, deve existir relação causal plausível entre o que será feito e o resultado pretendido.
Finalidade genérica:
Realizar campanhas para melhorar a sociedade.
Finalidade relacionada:
Realizar oficinas de verificação de fontes para reduzir o compartilhamento irrefletido de conteúdos falsos.
Evite prometer que uma única medida “acabará definitivamente” com um problema estrutural. Verbos como reduzir, ampliar, prevenir, combater e favorecer costumam representar com mais precisão o alcance de políticas e ações sociais.
5. Detalhamento: como tornar a proposta mais específica?
Detalhar não significa repetir a finalidade com outras palavras. O detalhamento acrescenta uma informação relevante sobre um dos componentes da proposta.
| O que pode ser detalhado | Exemplo de detalhamento |
|---|---|
| Agente | O Ministério da Educação, responsável pela coordenação da política nacional de ensino... |
| Ação | O programa deverá abranger leitura de fontes, autoria, evidências e funcionamento de algoritmos. |
| Meio | As oficinas serão realizadas mensalmente e acompanhadas por materiais digitais acessíveis. |
| Público | A iniciativa priorizará estudantes dos anos finais do ensino fundamental e do ensino médio. |
| Acompanhamento | Os resultados serão avaliados por atividades de checagem aplicadas antes e depois da formação. |
Repetição:
Capacitar professores para que eles sejam capacitados.
Detalhamento:
Capacitar professores com módulos semestrais sobre checagem de fontes e leitura de algoritmos.
Como relacionar a intervenção aos argumentos?
A intervenção deve nascer do diagnóstico produzido nos desenvolvimentos. Para cada eixo da tese, identifique o mecanismo que mantém o problema e pense em uma ação capaz de atuar sobre ele.
Tema de exemplo: desafios para combater a desinformação nas redes sociais brasileiras.
| Diagnóstico desenvolvido | Necessidade identificada | Resposta possível |
|---|---|---|
| Baixa formação para avaliar fontes digitais | Ensinar procedimentos de leitura crítica e verificação. | Programa escolar de educação midiática. |
| Circulação acelerada de conteúdos enganosos | Facilitar orientação, sinalização e denúncia. | Protocolos de transparência e canais acessíveis nas plataformas. |
Essa correspondência torna perceptível o projeto de texto: a introdução anuncia os eixos, os desenvolvimentos explicam o problema e a conclusão apresenta respostas compatíveis.
Exemplo completo de proposta de intervenção comentada
Portanto, o Ministério da Educação, em parceria com as secretarias estaduais de Educação, deve implementar um programa permanente de educação midiática nas escolas, por meio da formação de professores e da realização de oficinas de verificação de fontes integradas às aulas de Linguagens e Ciências Humanas. Nessas atividades, os estudantes deverão analisar autoria, evidências, contexto e funcionamento dos algoritmos, a fim de desenvolver autonomia para reconhecer conteúdos enganosos e reduzir seu compartilhamento irrefletido.
| Elemento | Trecho correspondente | Função |
|---|---|---|
| Agente | Ministério da Educação e secretarias estaduais de Educação | Indica responsáveis compatíveis com a política escolar. |
| Ação | Implementar um programa permanente de educação midiática | Explicita a iniciativa defendida. |
| Meio | Formação de professores e oficinas integradas às aulas | Mostra como o programa será executado. |
| Detalhamento | Análise de autoria, evidências, contexto e algoritmos | Especifica o conteúdo das atividades. |
| Finalidade | Desenvolver autonomia e reduzir o compartilhamento irrefletido | Relaciona a ação ao problema discutido. |
Como melhorar uma proposta vaga passo a passo?
Versão inicial:
Portanto, o governo deve fazer campanhas para conscientizar a população e resolver o problema.
Problemas da versão:
- “governo” não está delimitado;
- “fazer campanhas” não explica conteúdo, canal ou público;
- “conscientizar” não define qual aprendizagem se espera;
- “resolver o problema” promete um resultado impreciso;
- a proposta não responde claramente ao argumento desenvolvido.
Versão aprimorada:
Portanto, a Secretaria Nacional do Consumidor deve promover uma campanha de orientação sobre desinformação digital, mediante vídeos curtos e materiais acessíveis divulgados nas próprias redes sociais. O conteúdo deverá ensinar procedimentos de checagem, explicar como denunciar publicações enganosas e indicar canais oficiais de consulta, a fim de ampliar a segurança informacional dos usuários e reduzir decisões de consumo baseadas em conteúdos falsos.
Uma proposta completa é suficiente?
A matriz não exige duas propostas. Uma única intervenção pode alcançar o nível máximo quando é detalhada, relacionada ao tema e articulada à discussão. Duas iniciativas também são possíveis, mas acrescentá-las sem desenvolvimento pode produzir uma enumeração superficial.
Quantidade sem aprofundamento:
Governo, escolas, famílias, mídia e empresas devem fazer campanhas, projetos, leis e palestras.
Seleção com aprofundamento:
Uma iniciativa central é apresentada com agente competente, execução, finalidade e detalhamento.
Caso os dois argumentos exijam respostas diferentes, você pode elaborar duas propostas complementares. Nesse caso, preserve a clareza e desenvolva suficientemente os elementos de cada uma.
Como estruturar a conclusão da redação?
Não existe uma sequência obrigatória de frases, mas uma conclusão eficiente costuma combinar os movimentos abaixo:
- transição conclusiva: estabelece a relação com o raciocínio anterior;
- síntese do diagnóstico: retoma brevemente o problema, quando necessário;
- proposta de intervenção: apresenta uma ou mais iniciativas articuladas;
- fechamento: explicita o resultado esperado ou retoma uma referência da introdução.
A retomada da tese não deve consumir linhas apenas para repetir a introdução. Se a transição já deixar clara a relação com os problemas desenvolvidos, a proposta pode ser apresentada imediatamente.
Conectivos e construções úteis
| Função | Possibilidades |
|---|---|
| Conclusão | Portanto, assim, desse modo, diante desse cenário |
| Responsabilidade | Cabe a, compete a, é necessário que, deve |
| Meio | Por meio de, mediante, com, a partir de, por intermédio de |
| Finalidade | A fim de, com o objetivo de, para que, de modo a |
| Efeito | O que permitirá, de maneira que, como resultado, favorecendo |
Conectivo não garante conclusão: iniciar com “Portanto” não corrige uma proposta vaga. O operador precisa estabelecer uma relação lógica verdadeira com a argumentação anterior.
Posso utilizar um modelo pronto?
Um esquema pode ajudar no treino, mas não deve substituir o planejamento. A estrutura abaixo serve como roteiro de verificação, e não como parágrafo para ser copiado em qualquer tema:
Diante desse cenário, [AGENTE ESPECÍFICO] deve [AÇÃO RELACIONADA AO DIAGNÓSTICO], por meio de [MODO DE EXECUÇÃO], com [DETALHAMENTO], a fim de [FINALIDADE COERENTE].
Antes de preencher os espaços, volte aos desenvolvimentos e pergunte: qual mecanismo mantém o problema e qual medida poderia interferir nele? Essa resposta produz propostas mais autorais do que a simples troca de palavras em um molde universal.
O que significa respeitar os direitos humanos?
A intervenção deve preservar princípios como dignidade humana, igualdade de direitos, reconhecimento das diferenças, laicidade do Estado e sustentabilidade socioambiental. Propostas que defendam violência, tortura, execução, discurso de ódio, discriminação ou “justiça com as próprias mãos” desrespeitam esse requisito.
Efeito na nota: uma proposta que desrespeite os direitos humanos recebe zero na Competência 5. Isso não equivale, por si só, a zerar automaticamente as outras competências ou toda a redação.
Mesmo ao propor responsabilização por condutas ilegais, o participante deve defender procedimentos institucionais, garantias legais e medidas proporcionais, sem incitar violência ou privação arbitrária de direitos.
Erros que reduzem a nota da proposta
| Erro | Por que prejudica | Como corrigir |
|---|---|---|
| Apenas constatar uma ausência | “Faltam políticas” não configura claramente uma ação. | Declare o que deve ser criado, ampliado ou executado. |
| Usar agente genérico | Não fica claro quem possui responsabilidade ou competência. | Delimite órgão, instituição ou grupo capaz de agir. |
| Propor “conscientização” sem conteúdo | A ação não define qual conhecimento ou comportamento será desenvolvido. | Indique público, mensagem, canal e aprendizagem esperada. |
| Apresentar meio impossível ou incompatível | A proposta perde coerência interna. | Relacione os instrumentos às atribuições do agente. |
| Prometer solução absoluta | O efeito não decorre realisticamente da ação. | Defina contribuição ou impacto plausível. |
| Repetir em vez de detalhar | Nenhuma informação nova torna a proposta específica. | Acrescente conteúdo, público, frequência ou acompanhamento. |
| Ignorar os argumentos | A conclusão não responde ao projeto desenvolvido. | Associe cada iniciativa a um diagnóstico do texto. |
| Listar muitas propostas incompletas | A quantidade ocupa espaço sem aprofundamento. | Priorize uma ação completa ou duas complementares. |
| Desrespeitar direitos humanos | A proposta recebe zero na Competência 5. | Adote medidas institucionais, proporcionais e não discriminatórias. |
Passo a passo para planejar a proposta
- Releia a tese: identifique os eixos que orientaram a redação.
- Resuma os diagnósticos: escreva em poucas palavras o problema explicado em cada desenvolvimento.
- Escolha a ação: defina uma iniciativa capaz de atuar sobre um dos mecanismos apresentados.
- Selecione o agente: verifique quem possui competência e alcance para executá-la.
- Defina o meio: explique quais recursos, procedimentos ou canais viabilizam a ação.
- Estabeleça a finalidade: indique o efeito específico esperado.
- Detalhe: acrescente conteúdo, público, frequência, atribuição ou forma de acompanhamento.
- Teste a articulação: confirme que a proposta responde ao tema e aos argumentos.
- Revise os direitos humanos: elimine qualquer medida violenta, discriminatória ou arbitrária.
- Revise a linguagem: confira clareza, pontuação, regência, concordância e conectivos.
Checklist da Competência 5
- Existe uma ação interventiva explícita?
- A ação responde ao recorte temático?
- A proposta enfrenta um problema realmente desenvolvido?
- O agente possui competência para executar a iniciativa?
- O meio explica como a ação será realizada?
- A finalidade decorre logicamente da ação?
- Foi acrescentado um detalhamento verdadeiro?
- A proposta é específica sem ser inviável?
- Os direitos humanos foram respeitados?
- A conclusão mantém continuidade com a tese?
- Os conectivos expressam as relações pretendidas?
- O parágrafo evita repetições e promessas absolutas?
Quiz sobre proposta de intervenção no ENEM
Quiz — Competência 5 e proposta de intervenção (nível avançado)
Questão 1 — Qual alternativa define melhor uma proposta de intervenção de alto nível?
Questão 2 — Segundo a matriz, qual conjunto caracteriza o nível de 200 pontos na Competência 5?
Questão 3 — Qual componente é considerado o núcleo essencial da proposta?
Questão 4 — Qual escolha demonstra melhor a adequação do agente?
Questão 5 — Em “oferecer oficinas mensais de checagem para reduzir o compartilhamento de conteúdos falsos”, quais relações aparecem?
Questão 6 — Qual alternativa apresenta um detalhamento verdadeiro?
Questão 7 — Quantas propostas são obrigatórias para alcançar 200 pontos?
Questão 8 — O que ocorre quando a proposta desrespeita os direitos humanos?
Questão 9 — Qual situação evidencia melhor a articulação ao projeto de texto?
Questão 10 — Qual alternativa configura uma intervenção mais explícita?
Resumo: como fazer uma proposta de intervenção nota 1000
- parta dos problemas explicados nos desenvolvimentos;
- apresente uma ação interventiva explícita;
- escolha um agente competente para executá-la;
- mostre o meio ou modo de realização;
- estabeleça um efeito ou uma finalidade específica;
- detalhe um dos componentes com informação nova;
- prefira uma proposta aprofundada a várias propostas superficiais;
- evite agentes universais, campanhas vazias e promessas absolutas;
- mantenha a conclusão articulada à tese;
- respeite integralmente os direitos humanos.
Perguntas frequentes sobre proposta de intervenção
A proposta precisa ficar obrigatoriamente na conclusão?
A conclusão é o local mais frequente e estratégico, mas a Competência 5 avalia a proposta presente no texto. O essencial é que ela esteja explícita e articulada ao projeto de redação.
Os cinco elementos são obrigatórios?
A Cartilha orienta que uma proposta muito bem elaborada apresente ação, agente, meio, efeito ou finalidade e outro detalhamento. A ação é apontada como o elemento essencial, e a composição da intervenção influencia o nível alcançado.
É obrigatório apresentar duas propostas?
Não. A matriz não determina quantidade. Uma intervenção bem elaborada pode ser suficiente, desde que responda adequadamente à discussão e seja detalhada.
Posso usar “governo” como agente?
Pode, mas a formulação ganha precisão quando identifica qual esfera, órgão ou instituição possui competência para executar a ação proposta.
Campanha de conscientização é uma boa proposta?
Pode ser, desde que apresente conteúdo, público, canais, responsáveis e aprendizagem pretendida. “Conscientizar a população” sem essas definições tende a ser genérico.
Detalhamento e meio são a mesma coisa?
Não necessariamente. O meio explica como a ação será executada; o detalhamento acrescenta uma informação específica sobre agente, ação, modo, público, efeito ou acompanhamento.
A conclusão precisa começar com “Portanto”?
Não. O conectivo deve corresponder à relação de sentido pretendida. “Portanto”, “assim” e “diante desse cenário” são possibilidades, não fórmulas obrigatórias.
Desrespeitar os direitos humanos zera toda a redação?
Não automaticamente. Conforme a Cartilha de 2025, a proposta recebe zero na Competência 5.
Posso retomar o repertório da introdução no fechamento?
Sim, desde que a retomada contribua para encerrar o raciocínio e não substitua a proposta. Esse recurso pode reforçar a unidade do projeto de texto.
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Conclusão
Uma proposta de intervenção consistente não é um apêndice acrescentado às pressas. Ela conclui o projeto de texto ao transformar o diagnóstico argumentativo em uma iniciativa coerente, específica e socialmente responsável.
Para melhorar a Competência 5, treine o caminho completo: identifique o problema desenvolvido, selecione uma ação, atribua-a a um agente competente, explique sua execução, defina o efeito esperado e acrescente um detalhamento pertinente. Depois, revise se a medida respeita os direitos humanos e se responde verdadeiramente à tese defendida.
Referências
- BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep). A redação do Enem 2025: Cartilha do(a) Participante. Brasília: Inep, 2025. Disponível em: Portal do Inep.
- KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Escrever e argumentar. São Paulo: Contexto.
- FIORIN, José Luiz. Argumentação. São Paulo: Contexto.
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