Redação PAES UEMA: estrutura, planejamento, repertórios e estratégias para alcançar uma nota alta

A redação do PAES UEMA é uma etapa decisiva para os candidatos que desejam ingressar na Universidade Estadual do Maranhão. Para alcançar um bom desempenho, não basta conhecer uma estrutura pronta ou memorizar frases de efeito: é necessário compreender a proposta, formular um posicionamento claro, selecionar argumentos consistentes e organizar as ideias com coerência.

A preparação também exige atenção aos temas sociais, culturais e humanos presentes na realidade brasileira. Questões relacionadas à educação, desigualdade social, memória, identidade, cultura popular, cidadania, tecnologia, meio ambiente e direitos humanos podem servir de base para propostas que exijam reflexão crítica e capacidade de relacionar diferentes áreas do conhecimento.

Nesse processo, as obras literárias indicadas para o vestibular podem fornecer repertórios importantes. Livros como Infância, de Graciliano Ramos , Meu livro de cordel, de Cora Coralina , e Crônicas de Lucy Teixeira, de Ceres Costa Fernandes , apresentam discussões que podem ser relacionadas a diferentes problemas sociais.

Este guia apresenta orientações práticas para todas as etapas da produção textual: interpretação do tema, planejamento, elaboração da tese, construção dos argumentos, uso de repertório sociocultural, organização dos parágrafos, conclusão e revisão.

Ao longo da página, você também encontrará exemplos, modelos de planejamento, possíveis temas e estratégias para utilizar de forma produtiva as obras obrigatórias do PAES UEMA 2027.

Guia completo de redação do PAES UEMA com estrutura, planejamento, repertórios e temas

Índice


Como funciona a redação do PAES UEMA?

A redação do PAES UEMA avalia a capacidade do candidato de compreender uma proposta temática e produzir um texto adequado ao comando apresentado. Isso envolve habilidades de leitura, interpretação, planejamento, argumentação, organização textual e domínio da língua portuguesa.

O estudante deve observar cuidadosamente o gênero solicitado, a finalidade comunicativa da proposta, o tema, os textos motivadores e as orientações presentes no caderno de prova.

A redação não deve ser tratada como um conjunto de frases decoradas. Modelos excessivamente rígidos podem dificultar a adaptação ao tema e produzir textos genéricos, com argumentos que poderiam ser utilizados em qualquer proposta.

Uma produção de qualidade precisa demonstrar que o candidato:

  • compreendeu o problema apresentado pela proposta;
  • delimitou adequadamente o tema;
  • formulou um posicionamento coerente;
  • selecionou argumentos relacionados à tese;
  • desenvolveu as ideias, em vez de apenas enumerá-las;
  • utilizou repertórios pertinentes;
  • organizou os parágrafos com progressão textual;
  • empregou linguagem adequada à situação formal de escrita;
  • revisou o texto antes de passá-lo para a folha definitiva.
Atenção às regras da edição vigente

Informações como número mínimo e máximo de linhas, valor da redação, critérios de eliminação, necessidade de título e situações que levam à nota zero devem ser verificadas no edital e nas orientações oficiais da edição correspondente.

O que realmente diferencia uma boa redação?

Uma boa redação não se destaca apenas por apresentar poucos erros gramaticais. Ela precisa construir um raciocínio compreensível e progressivo.

Isso significa que cada parágrafo deve acrescentar uma informação relevante. A introdução apresenta o problema e o posicionamento; o desenvolvimento explica e comprova as ideias; a conclusão encerra a discussão de maneira coerente.

Quando o texto apenas repete o tema com palavras diferentes, não há aprofundamento argumentativo. O candidato deve explicar por que o problema existe, como ele se manifesta, quais são suas consequências e que fatores contribuem para sua permanência.


A redação da UEMA é igual à do ENEM?

Embora a preparação para o ENEM possa ajudar no desenvolvimento de habilidades argumentativas, o candidato não deve presumir que todas as propostas de vestibular seguem exatamente o mesmo formato.

Cada instituição possui orientações próprias. Por isso, é necessário ler o comando da proposta e identificar:

  • qual gênero textual deve ser produzido;
  • qual é o tema central;
  • qual recorte deve ser discutido;
  • qual posicionamento ou reflexão é solicitado;
  • quem seria o possível interlocutor;
  • qual finalidade o texto deve cumprir;
  • quais limites formais foram estabelecidos.

Um dos erros mais comuns é aplicar automaticamente um modelo memorizado, sem verificar se ele realmente atende à proposta. Isso pode provocar inadequação ao gênero, desenvolvimento superficial ou conclusão incompatível com o comando.

A proposta de intervenção é sempre obrigatória?

A proposta de intervenção é uma característica muito conhecida da redação do ENEM. Em outros processos seletivos, porém, sua presença depende do gênero solicitado e das orientações apresentadas.

Caso o comando peça uma discussão crítica, a conclusão pode retomar a tese, sintetizar os argumentos ou apresentar um encaminhamento coerente. Caso a proposta solicite soluções para um problema, será importante formular medidas relacionadas às causas discutidas no desenvolvimento.

Regra fundamental:

A conclusão deve responder às necessidades do texto efetivamente solicitado, e não reproduzir automaticamente um modelo utilizado em outro exame.


Como interpretar a proposta de redação?

A interpretação da proposta é a primeira etapa da escrita. Um texto pode apresentar boa linguagem e organização adequada, mas perder qualidade se não responder exatamente ao problema solicitado.

Antes de começar o rascunho, o candidato deve ler o comando mais de uma vez e destacar suas palavras principais.

1. Identifique o assunto geral

O assunto é a área ampla em que a proposta está inserida. Educação, cultura, tecnologia, desigualdade e meio ambiente são exemplos de assuntos.

Entretanto, nenhum desses termos, isoladamente, constitui um tema suficientemente delimitado.

2. Localize o recorte temático

O recorte determina qual aspecto do assunto deverá ser discutido.

Observe a diferença:

Assunto: educação.

Recorte: os desafios para formar leitores no Brasil.

Problema: por que uma parcela significativa da população não desenvolve hábitos permanentes de leitura?

Uma redação que discuta apenas a importância genérica da educação não responderá satisfatoriamente a uma proposta sobre formação de leitores.

3. Observe as palavras de comando

Expressões como desafios, impactos, importância, caminhos, consequências, permanência, valorização e enfrentamento indicam o tipo de raciocínio esperado.

Veja alguns exemplos:

Palavra do comando Raciocínio esperado
Desafios Identificar obstáculos, causas e dificuldades relacionadas ao problema.
Impactos Analisar efeitos e consequências sociais, culturais, econômicas ou individuais.
Importância Demonstrar o valor de determinado elemento e explicar sua contribuição.
Caminhos Apresentar estratégias, responsabilidades e possíveis formas de enfrentamento.
Persistência Investigar por que um problema continua existindo apesar das mudanças sociais.
Valorização Explicar por que determinada prática, grupo ou manifestação precisa ser reconhecida e preservada.

4. Transforme o tema em perguntas

Uma maneira eficiente de compreender a proposta é convertê-la em perguntas orientadoras.

Considere o tema:

A importância das manifestações culturais populares para a construção da identidade brasileira.

O candidato pode perguntar:

  • Como as manifestações populares contribuem para a identidade de um povo?
  • Por que determinadas expressões culturais são desvalorizadas?
  • Quais fatores ameaçam a preservação dessas manifestações?
  • Qual é o papel da escola, da comunidade e do poder público?
  • Como a literatura pode ajudar a preservar a memória cultural?

Essas perguntas ajudam a encontrar argumentos e impedem que a redação se limite a afirmações vagas, como “a cultura é muito importante para a sociedade”.


Como utilizar os textos motivadores?

Os textos motivadores ajudam a apresentar o tema, oferecer diferentes perspectivas e fornecer informações para a reflexão. Eles podem incluir notícias, fragmentos literários, dados estatísticos, opiniões, imagens, charges ou referências históricas.

Sua função não é entregar uma resposta pronta, mas orientar a compreensão da proposta.

O que fazer durante a leitura?

  • identificar a ideia principal de cada texto;
  • observar se os textos apresentam posições diferentes;
  • destacar causas, consequências, exemplos e dados;
  • perceber conceitos que se repetem;
  • relacionar as informações ao comando da proposta;
  • anotar conhecimentos externos que possam ampliar a discussão.

O que não fazer?

  • copiar frases inteiras sem necessidade;
  • reescrever os textos motivadores com outras palavras;
  • utilizar apenas as informações fornecidas pela prova;
  • ignorar o comando e comentar cada texto separadamente;
  • transformar a redação em resumo da coletânea;
  • mencionar dados sem explicar sua relação com o argumento.
Uso produtivo:

O candidato deve partir das ideias apresentadas pela coletânea e acrescentar sua própria análise. Os textos motivadores são um ponto de partida, não o conteúdo completo da redação.

Exemplo de aproveitamento adequado

Imagine que um dos textos apresente dados sobre a redução do número de leitores no Brasil. Não basta repetir a porcentagem informada.

O estudante deve utilizar o dado para sustentar uma interpretação:

A redução dos índices de leitura não representa apenas uma mudança de hábito, pois também limita o acesso da população a conhecimentos, experiências culturais e instrumentos necessários ao exercício do pensamento crítico.

Nesse exemplo, a informação foi transformada em argumento. O dado deixou de ser decorativo e passou a cumprir uma função dentro do raciocínio.


Tema, recorte temático e problema central

Compreender a diferença entre esses elementos é essencial para evitar fuga ou abordagem superficial.

Elemento Definição Exemplo
Assunto Campo amplo de discussão. Cultura.
Tema Questão específica apresentada pela proposta. A valorização das manifestações culturais populares brasileiras.
Recorte Aspecto do tema que delimita a discussão. A contribuição da cultura popular para a construção da identidade nacional.
Problema Contradição ou dificuldade que precisa ser analisada. A desvalorização de manifestações populares diante da padronização cultural e da falta de incentivo.
Tese Posicionamento central que será defendido. A preservação da cultura popular depende de reconhecimento social, educação patrimonial e políticas públicas permanentes.

O que é fuga ao tema?

A fuga ocorre quando o texto abandona o problema solicitado e desenvolve outro assunto.

Em uma proposta sobre a importância da memória coletiva para a formação da identidade social, por exemplo, uma redação dedicada exclusivamente à memória individual do candidato não atenderia plenamente ao tema.

O que é tangenciamento?

O tangenciamento acontece quando o texto toca superficialmente no tema, mas desenvolve apenas aspectos secundários.

Uma redação pode mencionar cultura popular na introdução e, em seguida, discutir apenas turismo ou economia, sem explicar a relação dessas questões com identidade, memória e preservação cultural.

Como conferir se o texto está realmente dentro do tema?

Antes de começar o desenvolvimento, complete a seguinte frase:

Nesta redação, defenderei que ________________________________________ porque ________________________________________ e ________________________________________.

A primeira lacuna corresponde à tese. As duas seguintes podem indicar os argumentos centrais.

Se a frase não responder diretamente ao comando, o planejamento precisa ser revisto antes da escrita.


Primeiro exercício de preparação

Leia a proposta abaixo:

Tema:

Os desafios para dar visibilidade a grupos socialmente marginalizados no Brasil.

Em seguida, responda:

  1. Qual é o assunto geral?
  2. Qual é o recorte temático?
  3. Que grupos podem ser considerados socialmente invisibilizados?
  4. Quais fatores provocam essa invisibilidade?
  5. Quais consequências ela produz?
  6. Que repertório literário pode ajudar na argumentação?
  7. Qual posicionamento poderia ser defendido?

Possível resolução

  • Assunto: desigualdade e exclusão social.
  • Recorte: invisibilidade de grupos marginalizados.
  • Problema: determinadas pessoas participam da vida social, mas não recebem reconhecimento, representação ou acesso efetivo a direitos.
  • Argumento 1: a naturalização das desigualdades torna certas formas de exclusão socialmente invisíveis.
  • Argumento 2: a ausência de representação nos espaços culturais, políticos e midiáticos dificulta o reconhecimento desses grupos.
  • Repertório: as personagens e situações retratadas em Crônicas de Lucy Teixeira, que direcionam o olhar para pessoas frequentemente ignoradas no cotidiano.
  • Tese: o enfrentamento da invisibilidade social exige tanto a garantia de direitos quanto a valorização das narrativas e experiências de grupos historicamente marginalizados.

Para conhecer outros eixos de preparação, consulte também a página sobre possíveis temas de redação do PAES UEMA 2027 .


Como planejar a redação antes de escrever?

O planejamento é uma das etapas mais importantes da redação. Muitos candidatos começam a escrever imediatamente após a leitura da proposta e só percebem, no meio do texto, que os argumentos são repetitivos, pouco relacionados ao tema ou difíceis de desenvolver.

Um bom planejamento ajuda a evitar esses problemas porque permite definir, antes da escrita, qual será o posicionamento central, quais argumentos serão utilizados e como cada parágrafo contribuirá para a defesa da tese.

Planejar não significa escrever toda a redação duas vezes. Em poucos minutos, o candidato pode organizar um projeto de texto com palavras-chave, setas, pequenas frases e referências que serão desenvolvidas posteriormente.

Etapa 1 — Reescreva o tema com suas próprias palavras

Depois de ler o comando e os textos motivadores, tente explicar o tema de maneira simples. Esse procedimento ajuda a verificar se a proposta foi realmente compreendida.

Considere o seguinte tema:

Os desafios para a valorização da cultura popular na sociedade brasileira.

Uma reformulação possível seria:

A proposta pede uma discussão sobre os obstáculos que dificultam o reconhecimento e a preservação das manifestações culturais produzidas pelas comunidades brasileiras.

Essa reformulação revela três elementos centrais:

  • há manifestações culturais que não recebem a devida valorização;
  • existem fatores sociais que contribuem para essa desvalorização;
  • é necessário discutir por que essas manifestações devem ser preservadas.

Etapa 2 — Identifique o problema central

Toda boa redação precisa partir de um problema claramente definido. O tema apresenta o assunto, mas o problema revela a contradição que será analisada.

No exemplo anterior, o problema poderia ser formulado assim:

Embora a cultura popular seja fundamental para a identidade brasileira, muitas de suas manifestações ainda são tratadas como inferiores, folclóricas ou pouco relevantes.

Essa contradição fornece uma base mais concreta para a argumentação.

Etapa 3 — Defina sua tese

A tese é o posicionamento central da redação. Ela apresenta a ideia que será defendida ao longo do texto.

Uma tese não precisa ser longa. Ela deve ser clara, específica e diretamente relacionada ao tema.

Para o exemplo sobre cultura popular, uma tese possível seria:

A desvalorização da cultura popular brasileira resulta da hierarquização entre manifestações culturais e da ausência de políticas permanentes de preservação e difusão.

Essa formulação já apresenta dois caminhos para o desenvolvimento:

  • a visão preconceituosa que considera determinadas formas culturais superiores;
  • a fragilidade das iniciativas de preservação e divulgação.

Etapa 4 — Escolha dois argumentos diferentes

Os argumentos precisam ser relacionados à tese, mas não devem repetir a mesma ideia com palavras diferentes.

Observe:

Argumento Função no texto
A hierarquização cultural leva parte da sociedade a considerar manifestações populares menos importantes do que formas artísticas associadas às elites. Explica uma causa social e simbólica da desvalorização.
A falta de incentivo, registro e divulgação dificulta a continuidade de tradições culturais transmitidas entre gerações. Analisa uma causa institucional e seus efeitos sobre a preservação.

Os dois argumentos se complementam, mas não se confundem. O primeiro aborda uma mentalidade social; o segundo discute a ausência de ações concretas.

Etapa 5 — Selecione repertórios pertinentes

Depois de escolher os argumentos, pense em referências capazes de comprová-los ou ampliá-los.

Para o tema sobre cultura popular, o candidato poderia utilizar Meu livro de cordel, de Cora Coralina , pois a obra valoriza a linguagem popular, a memória, o trabalho e as experiências de pessoas comuns.

Entretanto, a simples menção ao título não é suficiente. O repertório precisa ser associado ao argumento:

Em Meu livro de cordel, Cora Coralina transforma experiências cotidianas e saberes populares em matéria poética, demonstrando que a cultura produzida fora dos espaços eruditos também preserva memória, identidade e conhecimento social.

Etapa 6 — Planeje a função de cada parágrafo

Antes de escrever, organize o texto em blocos.

Introdução: apresentar o tema, o problema e a tese.

Desenvolvimento 1: explicar o primeiro argumento e relacioná-lo a um repertório.

Desenvolvimento 2: analisar o segundo argumento e apresentar outro exemplo ou consequência.

Conclusão: retomar o posicionamento e encerrar a discussão de maneira coerente.

Modelo de planejamento rápido

Elemento Planejamento
Tema Desafios para a valorização da cultura popular brasileira.
Problema Manifestações populares são fundamentais para a identidade nacional, mas ainda recebem pouco reconhecimento.
Tese A desvalorização decorre do preconceito cultural e da falta de políticas de preservação.
Argumento 1 Hierarquização entre cultura erudita e cultura popular.
Repertório 1 Meu livro de cordel, de Cora Coralina.
Argumento 2 Falta de incentivo, registro, divulgação e transmissão entre gerações.
Conclusão Necessidade de reconhecimento social, educação cultural e políticas permanentes de preservação.
Dica de prova:

Se o candidato não consegue resumir a função de cada parágrafo em uma frase, provavelmente ainda não organizou adequadamente o projeto de texto.


Estrutura da redação do PAES UEMA

A organização da redação depende do gênero solicitado e das orientações da proposta. Em textos de caráter dissertativo-argumentativo, porém, é comum que a produção seja estruturada em introdução, desenvolvimento e conclusão.

Essa divisão não deve ser entendida como uma fórmula rígida, mas como uma maneira de organizar o raciocínio.

Parte Função principal
Introdução Apresentar o tema, delimitar o problema e formular a tese.
Desenvolvimento Explicar, comprovar e aprofundar os argumentos.
Conclusão Retomar o posicionamento e encerrar o raciocínio.

A qualidade do texto depende da relação entre essas partes. Uma tese bem formulada perde força quando não é desenvolvida. Da mesma forma, bons argumentos podem parecer desconectados quando a introdução não apresenta um posicionamento claro.


Como fazer a introdução da redação?

A introdução é o primeiro contato do leitor com o raciocínio do candidato. Sua função é apresentar o assunto de forma delimitada e indicar qual posição será defendida.

Uma introdução eficiente costuma conter três elementos:

  1. contextualização do tema;
  2. apresentação do problema;
  3. formulação da tese.

1. Contextualização

A contextualização introduz o assunto e cria uma passagem até o problema central. Ela pode ser feita por meio de:

  • referência literária;
  • acontecimento histórico;
  • conceito social ou filosófico;
  • contraste entre realidade e ideal;
  • apresentação direta da questão;
  • relação com uma obra obrigatória.

A contextualização deve ser breve e funcional. Ela não pode ocupar todo o parágrafo nem afastar o texto do tema.

2. Apresentação do problema

Depois de contextualizar, o candidato precisa mostrar qual contradição será analisada.

Veja o exemplo:

Embora as manifestações populares sejam fundamentais para preservar a memória e a identidade coletiva, muitas delas continuam recebendo pouco reconhecimento social e institucional.

A frase apresenta uma oposição entre importância e desvalorização. Essa tensão cria o problema que será desenvolvido.

3. Tese

A tese indica a posição central e, quando possível, antecipa os eixos argumentativos.

Exemplo:

Essa realidade é consequência tanto da hierarquização entre diferentes formas de cultura quanto da ausência de iniciativas permanentes de preservação e divulgação.

A partir dessa frase, o leitor já sabe quais aspectos serão analisados nos parágrafos seguintes.

Exemplo completo de introdução

Em Meu livro de cordel, Cora Coralina transforma experiências populares, memórias coletivas e saberes cotidianos em matéria literária, demonstrando que a cultura produzida fora dos espaços eruditos também possui valor histórico e social. Entretanto, muitas manifestações populares brasileiras ainda recebem pouco reconhecimento, apesar de sua importância para a construção da identidade nacional. Essa desvalorização decorre tanto da hierarquização entre diferentes formas culturais quanto da insuficiência de ações voltadas à preservação e à difusão dessas tradições.

Por que essa introdução funciona?

  • utiliza uma obra literária diretamente relacionada ao tema;
  • explica a função da referência, em vez de apenas citar a autora;
  • apresenta uma contradição concreta;
  • formula uma tese clara;
  • antecipa dois argumentos diferentes.

Estratégias para começar a introdução

Introdução por referência literária

Essa estratégia utiliza uma obra como ponto de partida para a discussão.

Em Infância, Graciliano Ramos apresenta experiências escolares marcadas pelo medo, pela imposição e pela dificuldade de compreender o processo de aprendizagem. Embora a educação brasileira tenha passado por transformações, práticas que desconsideram as necessidades individuais dos estudantes ainda comprometem a formação crítica e a autonomia.

Introdução por contraste

O candidato apresenta uma diferença entre aquilo que deveria acontecer e o que ocorre na realidade.

A escola deveria garantir acesso ao conhecimento, estimular a autonomia e contribuir para a redução das desigualdades. No entanto, diferenças econômicas, estruturais e regionais ainda impedem que todos os estudantes tenham as mesmas oportunidades educacionais.

Introdução por contextualização histórica

Essa estratégia relaciona o tema a um processo histórico relevante.

A formação social brasileira foi marcada pela concentração de poder e pela exclusão de diferentes grupos dos espaços de decisão. Mesmo após a ampliação dos direitos civis e políticos, a invisibilidade social ainda limita o reconhecimento de parcelas significativas da população.

Introdução direta

Nem toda introdução precisa começar com uma referência externa. Em muitos casos, apresentar diretamente o problema produz um texto mais claro.

A preservação da memória coletiva é fundamental para que uma sociedade compreenda sua história e fortaleça sua identidade. Entretanto, a perda de patrimônios, o apagamento de narrativas locais e a desvalorização de saberes populares dificultam a transmissão dessa memória entre gerações.


O que evitar na introdução?

1. Frases excessivamente genéricas

Expressões como as seguintes pouco contribuem para o desenvolvimento:

  • “Desde os primórdios da humanidade...”;
  • “Na sociedade atual existem muitos problemas...”;
  • “Esse é um tema muito importante para todos...”;
  • “Ao longo dos anos, muita coisa mudou...”;
  • “Como todos sabem, a educação é essencial.”

Essas frases não delimitam o tema e poderiam ser utilizadas em praticamente qualquer redação.

2. Contextualizações longas

A introdução não deve se transformar em aula de História, resumo de obra ou exposição de conceitos. A referência inicial precisa conduzir rapidamente ao problema.

3. Repertório sem ligação com o tema

Citar um autor conhecido não melhora automaticamente a redação.

Veja um exemplo inadequado:

Segundo Paulo Freire, a educação transforma as pessoas. Nesse sentido, a cultura popular é importante para a sociedade.

A referência é vaga, não apresenta um conceito específico e não explica a relação entre educação e cultura popular.

4. Tese indefinida

Uma introdução pode mencionar o tema corretamente, mas permanecer incompleta quando não revela o que será defendido.

Exemplo pouco produtivo:

A desigualdade social é um problema presente no Brasil e precisa ser discutida.

A frase apenas reconhece a existência do problema. Ela não apresenta causas, consequências ou posicionamento.

5. Antecipação de argumentos repetidos

Evite selecionar dois argumentos praticamente idênticos.

Exemplo:

  • Argumento 1: falta de investimento público;
  • Argumento 2: ausência de recursos governamentais.

As duas ideias representam o mesmo problema. O desenvolvimento se tornaria repetitivo.


Como elaborar uma tese clara?

A tese é a resposta central dada pelo candidato ao problema proposto. Ela orienta toda a redação e precisa ser comprovada pelos argumentos.

Uma tese eficiente apresenta:

  • relação direta com o tema;
  • posicionamento identificável;
  • delimitação suficiente;
  • possibilidade de desenvolvimento;
  • coerência com os argumentos escolhidos.

Diferença entre tema e tese

Elemento Exemplo
Tema Os desafios para a formação de leitores no Brasil.
Tese A formação de leitores é dificultada pela desigualdade de acesso aos livros e por práticas escolares que tratam a leitura apenas como obrigação avaliativa.

O tema apresenta a questão. A tese indica como o candidato interpreta essa questão.

Modelo de tese com dois eixos

O problema ocorre em razão de ________________________________ e de ________________________________.

Esse modelo ajuda o estudante a organizar o desenvolvimento, mas não deve ser usado mecanicamente em todas as propostas.

Exemplos de teses

Tema: A importância da memória para a construção da identidade coletiva.

A preservação da memória coletiva é essencial para a identidade social, pois permite reconhecer experiências historicamente apagadas e fortalecer os vínculos culturais entre as gerações.

Tema: Os desafios para combater a invisibilidade social.

A invisibilidade de grupos marginalizados permanece em razão da naturalização das desigualdades e da baixa representação dessas pessoas nos espaços políticos, culturais e midiáticos.

Tema: Os impactos da educação autoritária na formação do indivíduo.

Práticas educacionais baseadas no medo comprometem a aprendizagem porque enfraquecem a autonomia do estudante e associam o conhecimento à punição, em vez de aproximá-lo da curiosidade e da reflexão.

Tema: A valorização da cultura regional brasileira.

A valorização da cultura regional depende do reconhecimento de seus produtores e da ampliação de iniciativas educacionais e institucionais que assegurem a preservação de saberes, linguagens e tradições locais.


Tipos de tese que podem ser utilizados

Tese causal

Apresenta as causas principais do problema.

A redução do hábito de leitura decorre da desigualdade de acesso aos livros e da fragilidade das práticas de formação de leitores.

Tese por consequência

Destaca os efeitos produzidos por determinada situação.

O apagamento da memória coletiva enfraquece a identidade cultural e dificulta o reconhecimento das experiências de grupos historicamente marginalizados.

Tese por contraste

Evidencia uma contradição entre dois aspectos.

Embora as tecnologias digitais ampliem o acesso à informação, seu uso sem formação crítica também favorece a circulação de conteúdos falsos e interpretações superficiais.

Tese avaliativa

Apresenta um julgamento ou uma análise crítica.

A valorização das culturas populares não deve ser tratada como ação comemorativa ocasional, mas como compromisso permanente com a preservação da diversidade brasileira.

Tese propositiva

Indica uma direção para o enfrentamento do problema.

A formação de leitores exige a democratização do acesso aos livros, a manutenção de bibliotecas e a adoção de práticas escolares que aproximem a leitura das experiências dos estudantes.


Exercício de formulação de tese

Considere o tema:

Os impactos das experiências vividas na infância sobre a formação do indivíduo.

Uma tese superficial seria:

A infância é muito importante para a vida das pessoas.

Embora correta, a frase é ampla e não apresenta uma análise.

Uma versão mais desenvolvida seria:

As experiências vividas durante a infância influenciam a formação emocional e social do indivíduo, especialmente quando relações familiares e educacionais são marcadas pela violência, pelo medo ou pela ausência de diálogo.

Essa tese pode ser relacionada à análise de Infância, de Graciliano Ramos , obra em que o narrador adulto reconstrói episódios familiares e escolares que deixaram marcas profundas em sua formação.


Como construir argumentos consistentes?

A argumentação é o núcleo da redação. É por meio dela que o candidato explica sua tese, analisa o problema e demonstra que seu posicionamento possui fundamento.

Um argumento consistente não se limita a apresentar uma opinião. Ele precisa mostrar por que determinada ideia é válida, como ela se relaciona ao tema e quais fatos, exemplos ou referências podem sustentá-la.

Compare:

Afirmação superficial:
A leitura é importante para a sociedade.

Argumento desenvolvido:
A leitura contribui para a formação crítica porque amplia o repertório do indivíduo, favorece o contato com diferentes perspectivas e fornece instrumentos para interpretar informações de maneira mais autônoma.

Na segunda versão, a ideia foi explicada. O candidato não apenas afirmou que a leitura é importante, mas indicou quais efeitos ela produz.

Características de um bom argumento

  • responde diretamente ao problema apresentado;
  • está relacionado à tese;
  • apresenta uma ideia específica;
  • é explicado ao longo do parágrafo;
  • pode ser sustentado por exemplo, repertório ou dado;
  • não repete o argumento desenvolvido anteriormente;
  • contribui para a progressão do texto.

Argumento não é apenas opinião

Uma opinião expressa o que o autor pensa. Um argumento procura justificar esse posicionamento.

Opinião Argumento
A escola precisa incentivar mais a leitura. Quando a escola reduz a leitura ao preenchimento de fichas ou à realização de avaliações, o estudante tende a associar o livro apenas à obrigação, o que dificulta a formação de um hábito permanente.
A cultura popular deveria ser valorizada. A desvalorização da cultura popular provoca o enfraquecimento de tradições, linguagens e saberes que registram a experiência histórica de diferentes comunidades.
A infância influencia a vida adulta. Experiências infantis marcadas pelo medo, pela violência ou pela ausência de diálogo podem afetar a autoestima, a socialização e a maneira como o indivíduo estabelece relações ao longo da vida.

Principais tipos de argumento

O candidato pode desenvolver diferentes formas de argumentação. A escolha depende do tema e do posicionamento defendido.

1. Argumento de causa

Explica os fatores responsáveis pela origem ou permanência de determinado problema.

Exemplo:

A baixa valorização das culturas regionais decorre, em parte, de uma visão hierarquizada que associa prestígio apenas às manifestações legitimadas pelos grandes centros culturais.

Nesse caso, a hierarquização cultural é apresentada como causa do problema.

2. Argumento de consequência

Analisa os efeitos provocados por determinada situação.

O apagamento de narrativas locais enfraquece a identidade coletiva, pois impede que as novas gerações reconheçam experiências, costumes e saberes que participaram da formação de sua comunidade.

3. Argumento por exemplificação

Utiliza uma situação concreta para tornar a ideia mais compreensível.

A invisibilidade social pode ser percebida quando trabalhadores essenciais ao funcionamento das cidades são vistos apenas por sua função, sem que suas histórias, dificuldades e direitos recebam atenção pública.

O exemplo precisa ser explicado. Apenas mencioná-lo não garante desenvolvimento argumentativo.

4. Argumento histórico

Relaciona o problema atual a processos construídos ao longo do tempo.

A desigualdade de acesso à educação no Brasil não surgiu recentemente, pois está ligada a uma formação histórica marcada pela concentração de renda e pela exclusão de parcelas da população dos espaços formais de ensino.

5. Argumento de autoridade

Recorre a um autor, pesquisador, conceito ou instituição reconhecida.

Esse tipo de argumento exige precisão. Não basta citar um nome conhecido sem apresentar a ideia utilizada.

Ao defender uma educação baseada no diálogo, Paulo Freire critica práticas em que o estudante ocupa posição exclusivamente passiva. Essa reflexão ajuda a compreender por que métodos autoritários podem limitar a autonomia e a participação do aluno no processo de aprendizagem.

6. Argumento por comparação

Aproxima duas situações para destacar semelhanças ou diferenças.

Assim como o patrimônio material preserva construções e documentos, a memória oral mantém vivas narrativas, costumes e conhecimentos que nem sempre foram registrados por instituições oficiais.

7. Argumento por contraste

Evidencia uma oposição ou contradição.

Embora as tecnologias digitais facilitem o acesso a obras literárias, a disponibilidade dos textos não garante a formação de leitores quando faltam mediação, orientação e condições adequadas de aprendizagem.

8. Argumento por princípio

Baseia-se em valores amplamente reconhecidos, como dignidade, igualdade, liberdade, justiça e participação cidadã.

A preservação da diversidade cultural deve ser compreendida como parte do direito das comunidades de manter suas formas de expressão, sua memória e sua participação na construção da identidade nacional.

9. Argumento por dados

Utiliza informações estatísticas ou resultados de pesquisas para demonstrar a dimensão de um fenômeno.

Os dados precisam ser apresentados com segurança e contextualizados. Informações inventadas, imprecisas ou atribuídas a instituições erradas comprometem a credibilidade do texto.

Quando pesquisas indicam redução nos índices de leitura, o dado não deve ser tratado apenas como número: ele revela dificuldades de acesso, formação e continuidade do contato com os livros.

Atenção:

Não é necessário utilizar um tipo diferente de argumento em cada parágrafo. O mais importante é selecionar ideias pertinentes, desenvolvê-las com profundidade e relacioná-las à tese.


Como escolher os argumentos?

Depois de compreender o tema, faça uma lista rápida de causas, consequências, agentes envolvidos e possíveis repertórios.

Considere o tema:

Os desafios para a preservação da memória coletiva no Brasil.

Uma chuva de ideias poderia incluir:

  • abandono de patrimônios;
  • apagamento de narrativas locais;
  • desvalorização da história oral;
  • falta de investimento cultural;
  • pouco contato dos jovens com tradições comunitárias;
  • centralização da memória em versões oficiais;
  • desaparecimento de documentos e registros;
  • importância da escola e dos museus;
  • literatura como preservação de experiências.

Em seguida, o candidato precisa agrupar as ideias.

Eixo Ideias relacionadas
Desvalorização social Apagamento de histórias locais, desprestígio da tradição oral e pouca participação das novas gerações.
Fragilidade institucional Falta de investimento, abandono de patrimônios, ausência de registros e ações descontínuas.

A partir desse agrupamento, podem ser escolhidos dois argumentos:

  1. a memória coletiva é enfraquecida quando saberes e narrativas locais são considerados pouco relevantes;
  2. a ausência de políticas permanentes dificulta o registro, a conservação e a transmissão do patrimônio cultural.

Evite argumentos amplos demais

Expressões como “falta de conscientização”, “falta de educação” e “culpa da sociedade” são vagas quando não há explicação.

Compare:

Argumento vago:
O problema acontece por falta de conscientização da sociedade.

Argumento delimitado:
A pouca valorização da memória local decorre de práticas educacionais e culturais que privilegiam narrativas nacionais amplas, mas oferecem pouco espaço para a história das próprias comunidades.

Evite responsabilizações genéricas

Dizer que “o governo”, “a mídia” ou “a população” são responsáveis pelo problema exige explicação.

É necessário indicar:

  • qual esfera do poder público está relacionada ao problema;
  • que comportamento social contribui para sua permanência;
  • como a mídia interfere na percepção do tema;
  • que consequência resulta dessa atuação.

Como organizar um parágrafo argumentativo?

Um parágrafo de desenvolvimento precisa apresentar unidade temática. Isso significa que todas as frases devem contribuir para explicar o mesmo argumento central.

Uma estrutura bastante funcional é composta por:

  1. tópico frasal;
  2. explicação;
  3. repertório ou exemplo;
  4. análise;
  5. fechamento.

1. Tópico frasal

É a frase que apresenta a ideia principal do parágrafo.

Em primeiro lugar, a desvalorização da cultura popular está relacionada à hierarquização entre manifestações consideradas eruditas e expressões associadas às classes populares.

2. Explicação

O candidato esclarece como o argumento funciona.

Essa divisão faz com que determinadas linguagens, tradições e formas de conhecimento recebam menos reconhecimento, embora participem diretamente da construção histórica e identitária do país.

3. Repertório ou exemplo

Uma referência é utilizada para sustentar a ideia.

Em Meu livro de cordel, Cora Coralina transforma experiências de trabalhadores, mulheres e comunidades populares em matéria poética, valorizando saberes frequentemente afastados dos espaços de prestígio cultural.

4. Análise do repertório

Essa é uma das partes mais importantes. O candidato precisa explicar por que a referência comprova o argumento.

Dessa maneira, a obra evidencia que o valor cultural não depende da origem social de uma manifestação, mas de sua capacidade de registrar experiências, preservar memórias e expressar a visão de mundo de uma coletividade.

5. Fechamento

A última frase reforça a relação entre o argumento e o problema.

Portanto, enquanto essa hierarquia permanecer naturalizada, parte significativa da diversidade cultural brasileira continuará sendo tratada como secundária.


Exemplo completo de parágrafo argumentativo

Em primeiro lugar, a desvalorização da cultura popular está relacionada à hierarquização entre manifestações consideradas eruditas e expressões associadas às classes populares. Essa divisão faz com que determinadas linguagens, tradições e formas de conhecimento recebam menos reconhecimento, embora participem diretamente da construção histórica e identitária do país. Em Meu livro de cordel, Cora Coralina transforma experiências de trabalhadores, mulheres e comunidades populares em matéria poética, valorizando saberes frequentemente afastados dos espaços de prestígio cultural. Dessa maneira, a obra evidencia que o valor cultural não depende da origem social de uma manifestação, mas de sua capacidade de registrar experiências, preservar memórias e expressar a visão de mundo de uma coletividade. Portanto, enquanto essa hierarquia permanecer naturalizada, parte significativa da diversidade cultural brasileira continuará sendo tratada como secundária.

Análise da estrutura

Trecho Função
“A desvalorização da cultura popular está relacionada à hierarquização...” Apresenta o argumento.
“Essa divisão faz com que determinadas linguagens...” Explica o problema.
“Em Meu livro de cordel...” Apresenta o repertório.
“Dessa maneira, a obra evidencia...” Analisa a referência.
“Portanto, enquanto essa hierarquia permanecer...” Fecha o raciocínio.

Exemplo de segundo parágrafo de desenvolvimento

Além do preconceito cultural, a fragilidade das ações institucionais também dificulta a preservação das manifestações populares. Muitos saberes dependem da transmissão entre gerações, do registro de relatos e da existência de espaços em que artistas e comunidades possam divulgar suas produções. Quando essas iniciativas são ocasionais, tradições inteiras ficam vulneráveis ao esquecimento. Nesse contexto, escolas, universidades, museus e órgãos culturais possuem papel decisivo, pois podem promover pesquisas, arquivos, eventos e projetos que aproximem a população de seu patrimônio. Assim, preservar a cultura popular exige continuidade, participação comunitária e reconhecimento institucional.

Esse parágrafo desenvolve um argumento diferente do anterior. O primeiro discutia a hierarquização cultural; o segundo analisa a falta de ações permanentes.


Como evitar um parágrafo expositivo?

Um parágrafo expositivo apenas apresenta informações. O parágrafo argumentativo utiliza essas informações para defender uma ideia.

Compare:

Versão apenas expositiva

Infância é uma obra de Graciliano Ramos. Nela, o autor narra lembranças da infância, da família e da escola. O livro foi publicado em 1945 e apresenta vários capítulos.

O trecho apresenta informações corretas, mas não constrói um argumento.

Versão argumentativa

A educação autoritária pode comprometer a relação da criança com o conhecimento. Em Infância, Graciliano Ramos recorda experiências familiares e escolares marcadas pelo medo, pela punição e pela dificuldade de compreender as exigências dos adultos. Ao reconstruir esses episódios, o narrador demonstra que a violência não produz aprendizagem autônoma, mas insegurança e silêncio. A obra, portanto, permite questionar métodos pedagógicos que confundem disciplina com intimidação.

Na segunda versão, as informações sobre a obra foram selecionadas e analisadas em função de uma tese.


Como desenvolver uma causa?

Ao apresentar uma causa, não basta nomeá-la. É necessário mostrar o mecanismo pelo qual ela produz ou mantém o problema.

Considere o argumento:

A falta de representatividade contribui para a invisibilidade social.

Para desenvolvê-lo, o candidato pode responder:

  • em quais espaços essa representação é reduzida?
  • quais grupos são pouco representados?
  • que imagens sobre eles costumam ser divulgadas?
  • como essa ausência afeta o reconhecimento social?
  • que consequência política ou cultural resulta disso?

Uma versão desenvolvida seria:

A baixa presença de grupos marginalizados em espaços políticos, culturais e midiáticos contribui para sua invisibilidade porque limita a circulação de narrativas produzidas por essas próprias pessoas. Quando elas aparecem apenas por meio de estereótipos ou não participam das decisões que afetam suas vidas, suas necessidades são percebidas como secundárias. Com isso, a exclusão deixa de ser reconhecida como problema coletivo e passa a ser tratada como experiência individual.


Como desenvolver uma consequência?

Ao trabalhar uma consequência, explique quem é afetado, de que maneira e por que o efeito é relevante.

Exemplo inicial:

O apagamento da memória prejudica a identidade.

Versão desenvolvida:

O apagamento da memória coletiva prejudica a construção da identidade porque rompe a continuidade entre as gerações. Sem acesso às narrativas, práticas e experiências de seus antepassados, os indivíduos encontram mais dificuldade para compreender a origem de costumes, conflitos e valores presentes em sua comunidade. Como consequência, a identidade local pode ser substituída por referências padronizadas que não representam plenamente a diversidade de sua formação histórica.


Como utilizar exemplos sem generalizar?

Um exemplo precisa ilustrar o argumento, mas não pode ser tratado como se representasse automaticamente toda a realidade.

Evite construções como:

Isso acontece em todas as escolas brasileiras.

Prefira:

Essa situação ainda pode ser observada em contextos escolares nos quais a leitura é apresentada apenas como atividade obrigatória, sem mediação ou espaço para interpretação.

Expressões como “em muitos contextos”, “parte da população”, “determinadas instituições” e “algumas práticas” ajudam a manter a precisão.


Erros frequentes na argumentação

1. Apresentar vários argumentos sem desenvolver nenhum

Veja:

O problema ocorre por falta de investimento, desigualdade, preconceito, desinformação, ausência familiar e falta de políticas públicas.

A enumeração possui muitas ideias, mas nenhuma é explicada. É melhor selecionar duas causas principais e desenvolvê-las com profundidade.

2. Repetir a tese

Reafirmar que “a cultura precisa ser valorizada” em todas as frases não significa argumentar.

O desenvolvimento deve explicar os motivos da desvalorização, seus efeitos e possíveis formas de enfrentamento.

3. Utilizar repertório como enfeite

O nome de uma obra, autor ou conceito não pode aparecer isolado.

Exemplo inadequado:

Segundo Graciliano Ramos, a educação é importante.

Exemplo mais produtivo:

Em Infância, Graciliano Ramos relaciona o aprendizado ao medo e à punição, permitindo compreender como práticas autoritárias podem afastar a criança do conhecimento em vez de estimular sua autonomia.

4. Fazer afirmações absolutas

Evite:

  • “ninguém valoriza a cultura”;
  • “todos os jovens deixaram de ler”;
  • “a escola brasileira não ensina”;
  • “a tecnologia destruiu as relações humanas”;
  • “a mídia manipula toda a população”.

Afirmações absolutas são difíceis de comprovar e desconsideram a complexidade dos problemas sociais.

5. Inventar dados

Não utilize porcentagens ou pesquisas cuja origem não seja conhecida.

Caso não se lembre de um dado com segurança, desenvolva o argumento por meio de análise, comparação, exemplo literário ou processo histórico.

6. Contradizer a própria tese

Se a introdução afirma que a desigualdade educacional resulta da falta de acesso e de práticas pedagógicas inadequadas, os parágrafos seguintes precisam desenvolver exatamente esses fatores.

Acrescentar uma causa completamente diferente sem explicação prejudica a unidade do texto.


Exercício de construção de parágrafo

Tema:

Os desafios para a formação de leitores no Brasil.

Argumento escolhido:

Práticas escolares excessivamente mecânicas dificultam o desenvolvimento do interesse pela leitura.

Responda às perguntas:

  1. Como essas práticas funcionam?
  2. Por que elas afastam os estudantes dos livros?
  3. Que consequência produzem?
  4. Que obra pode ser utilizada como repertório?
  5. Como a obra se relaciona ao argumento?

Possível resposta

Além das dificuldades de acesso, determinadas práticas escolares também podem prejudicar a formação de leitores. Quando o contato com os livros se limita à memorização de informações, ao preenchimento de fichas ou à realização de provas, a leitura tende a ser percebida apenas como obrigação. Em Infância, Graciliano Ramos apresenta experiências de aprendizagem marcadas pela imposição e pela dificuldade de compreender os textos utilizados na escola. Essa representação evidencia que a presença do livro, por si só, não garante uma relação significativa com a leitura. Portanto, formar leitores exige mediação, diversidade de obras e espaço para que o estudante participe da construção dos sentidos do texto.

Para aprofundar os episódios relacionados à educação e à descoberta dos livros, consulte a análise completa de Infância, de Graciliano Ramos .


Como utilizar repertório sociocultural na redação?

O repertório sociocultural é o conjunto de conhecimentos que o candidato utiliza para ampliar, explicar ou comprovar seus argumentos. Ele pode ser retirado da literatura, da História, da Filosofia, da Sociologia, da legislação, de pesquisas, de acontecimentos sociais, de filmes, de obras de arte e de outras áreas do conhecimento.

Entretanto, o repertório só contribui para a qualidade da redação quando está diretamente relacionado ao tema e integrado ao raciocínio do parágrafo.

Não basta citar um autor, uma obra ou uma lei. É necessário mostrar:

  • qual ideia está sendo utilizada;
  • como essa referência se relaciona ao argumento;
  • que aspecto do problema ela ajuda a compreender;
  • por que sua presença é importante naquele parágrafo.
Princípio fundamental:

O repertório deve servir ao argumento. Ele não pode aparecer apenas para demonstrar que o candidato conhece determinado autor ou obra.

Repertório pertinente e repertório decorativo

Compare os exemplos:

Repertório decorativo:
Segundo Paulo Freire, a educação transforma o mundo. Por isso, a leitura é importante.

Nesse exemplo, a referência aparece de forma ampla e pouco explicada.

Repertório pertinente:
Ao defender uma educação baseada no diálogo e na participação do estudante, Paulo Freire questiona práticas em que o aluno apenas recebe informações de forma passiva. Essa reflexão ajuda a compreender por que a leitura, quando reduzida à memorização e à cobrança de respostas prontas, dificilmente contribui para a formação de leitores autônomos.

Na segunda versão, o conceito foi explicado e relacionado diretamente ao argumento.


O que torna um repertório produtivo?

Um repertório produtivo apresenta quatro características principais:

  1. Legitimidade: a referência pertence a uma área de conhecimento reconhecida ou corresponde a uma obra, conceito, fato ou informação verificável.
  2. Pertinência: o repertório possui relação direta com o tema e com o argumento desenvolvido.
  3. Contextualização: o candidato explica brevemente a referência antes de utilizá-la.
  4. Produtividade: a referência ajuda a desenvolver uma ideia, comprovar uma análise ou estabelecer uma comparação.

Exemplo de repertório legitimado, mas pouco produtivo

A Constituição Federal garante direitos aos cidadãos brasileiros.

A afirmação é correta, mas excessivamente ampla. Não indica qual direito está sendo discutido nem como ele se relaciona ao problema.

Versão mais produtiva

Ao reconhecer a cultura como um direito, a Constituição Federal reforça que a preservação das manifestações populares não deve depender apenas da iniciativa individual de artistas e comunidades. Cabe também ao poder público assegurar condições para o acesso, a proteção e a difusão do patrimônio cultural brasileiro.

Nessa versão, a referência jurídica cumpre uma função argumentativa clara.


Principais fontes de repertório sociocultural

1. Literatura

A literatura é especialmente útil porque permite representar conflitos humanos, relações sociais, experiências históricas e diferentes formas de interpretar o mundo.

Uma obra pode ser utilizada para:

  • exemplificar um problema social;
  • representar um grupo ou uma experiência;
  • estabelecer relação entre passado e presente;
  • discutir memória, identidade e cultura;
  • mostrar as consequências de determinada realidade;
  • questionar valores e práticas sociais.

2. História

O repertório histórico ajuda a demonstrar que muitos problemas sociais não surgiram recentemente. Ele permite explicar origens, permanências e transformações.

A desigualdade educacional brasileira está relacionada a uma formação histórica em que o acesso à escolarização foi durante muito tempo concentrado entre grupos privilegiados. Essa herança ajuda a compreender por que diferenças econômicas e regionais ainda interferem nas oportunidades de aprendizagem.

3. Filosofia e Sociologia

Conceitos filosóficos e sociológicos podem ampliar a análise, desde que sejam explicados de maneira clara.

O candidato não precisa reproduzir definições complexas. Deve selecionar apenas a parte do conceito que contribui para o argumento.

O conceito de violência simbólica, associado a Pierre Bourdieu, ajuda a compreender formas de imposição que não dependem da agressão física. Ao considerar determinados modos de falar, saberes e manifestações culturais como inferiores, a sociedade transforma diferenças culturais em desigualdades de prestígio.

4. Legislação

A Constituição Federal, o Estatuto da Criança e do Adolescente, a legislação educacional e outras normas podem fundamentar discussões sobre direitos.

O uso deve ser específico:

Ao reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, o Estatuto da Criança e do Adolescente contrasta com práticas educativas baseadas em humilhação, medo e violência. Assim, castigos físicos não podem ser tratados como métodos legítimos de formação.

5. Fatos sociais

Situações observáveis na realidade podem ser utilizadas como exemplos, desde que não sejam apresentadas de maneira vaga.

O fechamento de bibliotecas comunitárias, a ausência de acervos atualizados e a dificuldade de acesso a livrarias em muitos municípios demonstram que a formação de leitores também depende de condições materiais.

6. Cinema e produções culturais

Filmes, documentários, séries, músicas e obras artísticas podem ser utilizados quando apresentam relação concreta com o tema.

Evite resumir toda a produção. Destaque apenas o aspecto necessário ao argumento.

7. Conhecimentos regionais

Em uma prova vinculada à realidade maranhense, referências regionais podem enriquecer a argumentação, especialmente em temas relacionados a cultura, memória, patrimônio, desigualdade e identidade.

O candidato pode mobilizar:

  • manifestações culturais maranhenses;
  • patrimônio histórico e arquitetônico;
  • literatura produzida no Maranhão;
  • comunidades tradicionais;
  • desafios educacionais e sociais regionais;
  • memórias e práticas culturais locais.

Como inserir o repertório no parágrafo?

Uma estrutura simples pode ajudar:

1. Apresente o argumento.

2. Contextualize a referência.

3. Explique o aspecto utilizado.

4. Relacione a referência ao tema.

5. Retome o argumento.

Exemplo com obra literária

Práticas educacionais baseadas no medo podem comprometer a autonomia da criança. Em Infância, Graciliano Ramos reconstrói episódios em que a aprendizagem aparece associada à punição, à obediência e à dificuldade de compreender as exigências dos adultos. Ao apresentar os efeitos emocionais dessas experiências, a obra demonstra que a violência não favorece a formação crítica, mas produz insegurança e silêncio. Portanto, educar exige orientação e diálogo, e não apenas imposição.

Exemplo com repertório histórico

A invisibilidade de determinados grupos está relacionada à formação histórica da sociedade brasileira. Durante longos períodos, trabalhadores, mulheres, populações negras, indígenas e comunidades tradicionais tiveram participação limitada nos espaços de poder e de produção das narrativas oficiais. Como consequência, suas experiências foram muitas vezes registradas por outros grupos ou simplesmente apagadas. Essa herança ainda interfere no reconhecimento social e na representação pública dessas pessoas.

Exemplo com legislação

A preservação da diversidade cultural não deve ser compreendida apenas como escolha estética, mas como direito coletivo. A Constituição Federal reconhece a importância das diferentes formas de expressão e do patrimônio cultural brasileiro. Desse modo, a falta de proteção a manifestações populares representa não apenas perda simbólica, mas também enfraquecimento de um direito ligado à memória e à identidade das comunidades.


Como evitar citações decoradas?

Frases prontas costumam ser utilizadas sem relação verdadeira com o tema. Isso ocorre quando o estudante memoriza uma citação e tenta encaixá-la em qualquer proposta.

Alguns sinais de repertório decorado são:

  • a referência aparece apenas na introdução e não é explicada;
  • a mesma citação poderia ser usada em qualquer tema;
  • o autor é mencionado, mas sua ideia não é apresentada;
  • a frase não contribui para o argumento;
  • há erro na autoria ou no conteúdo citado;
  • o texto muda bruscamente de assunto para inserir a referência.

Não é obrigatório utilizar citações literais. Em muitos casos, a paráfrase é mais segura e mais adequada.

Em vez de tentar reproduzir uma frase exata, o candidato pode explicar a ideia do autor com suas próprias palavras.


É possível usar o mesmo repertório em temas diferentes?

Sim. Uma obra literária pode abordar diferentes questões. Entretanto, o candidato deve selecionar um aspecto específico para cada tema.

Infância, por exemplo, pode ser utilizada em discussões sobre:

  • educação autoritária;
  • violência na infância;
  • formação da identidade;
  • importância da leitura;
  • memória individual;
  • desigualdade social;
  • relações familiares.

Contudo, o episódio ou elemento mencionado deve mudar conforme o argumento.

Em um tema sobre educação, o candidato pode destacar as experiências escolares. Em uma discussão sobre memória, deve analisar a reconstrução fragmentada do passado. Em um tema sobre violência, pode utilizar as relações familiares marcadas pelo medo.


Como usar as obras do PAES UEMA 2027 na redação?

As obras literárias relacionadas ao PAES UEMA 2027 oferecem um repertório especialmente relevante porque permitem aproximar literatura, realidade social e interpretação crítica.

Entretanto, o estudante deve evitar transformar a redação em resumo literário. O objetivo não é narrar toda a obra, mas selecionar um episódio, personagem, conflito ou tema que ajude a desenvolver o argumento.

Um bom uso da obra segue esta lógica:

Obra + elemento específico + interpretação + relação com o tema

Exemplo:

Em Infância, Graciliano Ramos recorda experiências escolares marcadas pela imposição e pelo medo. Ao mostrar que a criança associa o aprendizado à punição, a obra permite questionar práticas pedagógicas que valorizam a obediência, mas limitam a autonomia intelectual.

Nesse caso, o título não foi apenas citado. Um elemento concreto foi interpretado e relacionado ao argumento.


Como usar Infância, de Graciliano Ramos, na redação?

Infância é uma obra memorialística em que Graciliano Ramos reconstrói acontecimentos de seus primeiros anos de vida. O narrador adulto observa as experiências da criança e procura compreender as marcas deixadas pela família, pela escola, pela violência, pela desigualdade e pela descoberta da leitura.

Por sua riqueza temática, a obra pode ser utilizada em diversos eixos.

1. Educação autoritária

Família e escola aparecem frequentemente organizadas por relações de poder. A criança precisa obedecer, mas nem sempre compreende as ordens ou os motivos dos castigos.

Aplicação:

A educação baseada no medo compromete a autonomia do estudante. Em Infância, Graciliano Ramos apresenta experiências escolares nas quais o conhecimento se mistura à punição e à obrigação. Essa representação mostra que a autoridade sem diálogo pode produzir silêncio e insegurança, em vez de participação crítica.

2. Violência na infância

A obra permite discutir os efeitos físicos e psicológicos de práticas educativas violentas.

Ao reconstruir castigos familiares e situações de humilhação, Infância evidencia que a violência contra a criança não termina no momento da agressão. Ela pode permanecer na memória e influenciar a maneira como o indivíduo compreende a autoridade, o afeto e a própria identidade.

3. Formação da identidade

As experiências vividas na infância ajudam a construir a personalidade do narrador adulto.

A identidade não se forma de maneira isolada, mas a partir das relações familiares, escolares e sociais. Em Infância, as lembranças do narrador mostram como o medo, a solidão, a observação e a leitura contribuíram para a construção de sua visão de mundo.

4. Memória

Logo no início da obra, o narrador reconhece que suas lembranças são fragmentadas e podem ter sido modificadas pelo tempo.

Em Infância, Graciliano Ramos não apresenta a memória como reprodução exata dos fatos. O narrador reconhece lacunas, dúvidas e reconstruções, demonstrando que lembrar também significa interpretar o passado a partir do presente.

5. Importância da leitura

Os livros surgem como possibilidade de descoberta e ampliação do mundo.

Embora a escola seja inicialmente associada à imposição, a leitura torna-se instrumento de autonomia em Infância. Ao descobrir os livros, o narrador entra em contato com novas experiências e formas de pensamento, revelando o potencial da literatura para ampliar a compreensão da realidade.

6. Desigualdade social

O convívio com trabalhadores rurais, empregados e pessoas submetidas a diferentes relações de poder permite discutir desigualdade e hierarquia.

A desigualdade social aparece em Infância por meio das diferenças entre proprietários, trabalhadores e pessoas dependentes das estruturas locais de poder. A obra demonstra que a experiência individual da criança também é atravessada pelas hierarquias econômicas e sociais do Nordeste brasileiro.

Temas em que Infância pode ser utilizada

  • impactos da violência na formação infantil;
  • desafios para uma educação humanizada;
  • importância da leitura;
  • relações entre memória e identidade;
  • autoritarismo nas relações sociais;
  • desigualdade de oportunidades;
  • papel da família na formação do indivíduo;
  • influência das experiências infantis na vida adulta.

Para aprofundar os capítulos, símbolos e temas, consulte a análise completa de Infância, de Graciliano Ramos .


Como usar Meu livro de cordel, de Cora Coralina, na redação?

Em Meu livro de cordel, Cora Coralina transforma experiências cotidianas, memórias, saberes populares, trabalho e vozes socialmente pouco valorizadas em matéria poética.

A obra permite discutir a cultura popular não como produção inferior, mas como forma de preservar conhecimentos, identidades e experiências coletivas.

1. Cultura popular

Ao aproximar poesia, oralidade e experiências do cotidiano, Meu livro de cordel valoriza manifestações culturais construídas fora dos espaços tradicionais de prestígio. A obra demonstra que a cultura popular registra modos de vida, saberes e valores indispensáveis à compreensão da sociedade brasileira.

2. Memória coletiva

A poesia preserva pessoas, lugares, práticas e experiências que poderiam desaparecer.

Em Meu livro de cordel, a memória transforma vivências simples em registro cultural. Ao recuperar personagens, trabalhadores e costumes, Cora Coralina mostra que a história de uma comunidade também é formada por experiências que raramente aparecem nos documentos oficiais.

3. Trabalho e dignidade

A obra permite discutir o valor social do trabalho e a invisibilidade de trabalhadores comuns.

A valorização de trabalhadores e atividades cotidianas em Meu livro de cordel questiona uma sociedade que reconhece apenas ocupações associadas a maior prestígio econômico. A obra evidencia que o trabalho também produz saberes, identidade e pertencimento.

4. Condição feminina

A trajetória e a escrita de Cora Coralina permitem refletir sobre os obstáculos enfrentados pelas mulheres para ocupar espaços de produção cultural e reconhecimento público.

A presença de experiências femininas em Meu livro de cordel evidencia como a literatura pode tornar visíveis vivências frequentemente limitadas ao espaço doméstico ou tratadas como pouco relevantes. Dessa forma, a obra contribui para discutir a participação das mulheres na preservação da memória e na produção cultural.

5. Identidade regional

A linguagem, os costumes, as paisagens e as experiências locais não impedem que a obra discuta questões universais.

Ao valorizar elementos regionais, Cora Coralina demonstra que a identidade nacional não é uniforme, mas formada pela diversidade de experiências locais. Preservar culturas regionais, portanto, significa proteger a pluralidade da própria cultura brasileira.

6. Invisibilidade social

Pessoas comuns, trabalhadores e personagens afastados dos centros de poder ganham importância na poesia.

Ao transformar pessoas anônimas em sujeitos poéticos, Meu livro de cordel questiona processos de invisibilidade social. A obra mostra que reconhecer essas experiências é fundamental para construir uma memória coletiva mais plural e menos concentrada nas trajetórias das elites.

Temas em que Meu livro de cordel pode ser utilizado

  • valorização da cultura popular;
  • preservação da memória coletiva;
  • identidade regional e nacional;
  • dignidade do trabalho;
  • invisibilidade de grupos sociais;
  • participação feminina na cultura;
  • oralidade e transmissão de saberes;
  • diversidade cultural brasileira.

Para estudar a obra com mais profundidade, acesse a análise de Meu livro de cordel, de Cora Coralina .


Como usar Crônicas de Lucy Teixeira na redação?

A obra de Ceres Costa Fernandes recupera a trajetória, a memória e o cotidiano relacionados a Lucy Teixeira, permitindo discutir identidade maranhense, memória cultural, relações sociais, experiências femininas e personagens frequentemente ignorados pelas grandes narrativas históricas.

1. Memória e preservação cultural

Ao recuperar acontecimentos, personagens e espaços ligados à experiência social maranhense, Crônicas de Lucy Teixeira demonstra que a memória cultural depende do registro de narrativas locais. Sem esse trabalho, experiências importantes podem desaparecer ou permanecer restritas a pequenos grupos.

2. Cotidiano como documento social

A crônica observa acontecimentos aparentemente simples, mas revela por meio deles hábitos, valores e desigualdades.

Em Crônicas de Lucy Teixeira, o cotidiano não aparece como realidade insignificante. Os gestos, encontros, espaços e personagens observados permitem compreender relações sociais mais amplas. A obra mostra, assim, que experiências comuns também podem funcionar como documentos da história de uma comunidade.

3. Identidade maranhense

A preservação da identidade maranhense depende não apenas de monumentos e documentos oficiais, mas também das narrativas que registram formas de convivência, linguagem, costumes e lembranças locais. Crônicas de Lucy Teixeira contribui para esse processo ao transformar experiências regionais em memória literária.

4. Invisibilidade social

A atenção dada a personagens comuns permite discutir quem merece ser lembrado e representado.

Ao direcionar o olhar para pessoas e situações muitas vezes ignoradas, Crônicas de Lucy Teixeira questiona uma memória social construída apenas a partir de figuras de prestígio. A obra demonstra que compreender uma sociedade exige também reconhecer as experiências de sujeitos anônimos.

5. Experiência feminina

A obra permite discutir a presença das mulheres na produção intelectual, cultural e memorialística.

Ao preservar a trajetória e as experiências de uma mulher ligada à vida cultural maranhense, a obra contribui para enfrentar o apagamento histórico de mulheres que participaram da construção intelectual e social de suas comunidades.

6. Literatura regional

O caráter regional da obra amplia, e não reduz, sua importância.

Ao registrar experiências maranhenses, Crônicas de Lucy Teixeira demonstra que a literatura regional é fundamental para diversificar as imagens do Brasil. Sem essas narrativas, a identidade nacional tende a ser representada apenas a partir de grandes centros e experiências consideradas dominantes.

Temas em que Crônicas de Lucy Teixeira pode ser utilizada

  • preservação da memória cultural;
  • valorização da identidade maranhense;
  • invisibilidade social;
  • cotidiano e história;
  • participação feminina na cultura;
  • importância da literatura regional;
  • representação de pessoas comuns;
  • diversidade das narrativas brasileiras.

Para conhecer os principais temas, personagens e aspectos históricos, consulte a análise de Crônicas de Lucy Teixeira, de Ceres Costa Fernandes .


Temas que aproximam as obras obrigatórias do PAES UEMA 2027

Embora apresentem estilos, contextos e propostas diferentes, Infância, Meu livro de cordel e Crônicas de Lucy Teixeira dialogam em diversos pontos. Essas aproximações podem ser muito úteis tanto em questões de Literatura quanto na construção de repertórios para a redação.

O estudante não precisa utilizar mais de uma obra no mesmo texto. Contudo, conhecer os temas que as aproximam amplia as possibilidades de escolha e permite selecionar a referência mais adequada para cada proposta.

Memória

A memória aparece nas três obras, mas assume funções diferentes.

Obra Como a memória aparece
Infância O narrador adulto reconstrói lembranças fragmentadas e procura compreender como as experiências do passado influenciaram sua formação.
Meu livro de cordel A memória preserva experiências populares, afetos, trabalhos, costumes e saberes transmitidos entre gerações.
Crônicas de Lucy Teixeira A memória registra personagens, espaços e acontecimentos ligados à vida cultural e social maranhense.

Em uma proposta sobre memória coletiva, as três obras podem ser usadas de maneiras distintas:

  • Infância ajuda a discutir a memória como reconstrução e interpretação do passado;
  • Meu livro de cordel permite abordar a preservação de saberes e experiências populares;
  • Crônicas de Lucy Teixeira contribui para refletir sobre o registro da memória regional e de pessoas comuns.

Identidade

As três obras mostram que a identidade não surge de maneira isolada. Ela é construída por meio da família, da comunidade, da memória, da linguagem e das experiências sociais.

Enquanto Infância investiga a formação da identidade individual, Meu livro de cordel valoriza identidades populares e regionais, e Crônicas de Lucy Teixeira preserva elementos da identidade cultural maranhense.

Cultura popular

A cultura popular aparece principalmente em Meu livro de cordel, mas também pode ser relacionada às outras obras.

Em Infância, cantigas, histórias orais, modos de falar e costumes sertanejos participam da formação do narrador. Em Crônicas de Lucy Teixeira, hábitos, espaços e relações do cotidiano ajudam a registrar a cultura local.

Dessa maneira, as três obras demonstram que a cultura não se limita às produções reconhecidas pelas instituições. Ela também está presente na oralidade, no trabalho, nas lembranças e nas práticas diárias.

Educação e formação humana

Infância é a obra mais diretamente relacionada à educação, pois apresenta experiências escolares e familiares marcadas pelo autoritarismo.

Entretanto, as outras obras também participam de um processo formativo:

  • Cora Coralina valoriza conhecimentos construídos pela experiência;
  • Ceres Costa Fernandes preserva narrativas que ajudam a compreender a cultura e a história maranhenses;
  • Graciliano Ramos mostra como família, escola e leitura interferem na formação intelectual e emocional.

Invisibilidade social

A atenção dada a trabalhadores, mulheres, crianças e pessoas comuns aproxima as três obras.

Em vez de concentrar a literatura apenas em figuras de prestígio, os textos permitem reconhecer indivíduos que muitas vezes permanecem afastados das narrativas oficiais.

Essa característica torna as obras especialmente produtivas em temas sobre exclusão, representação social, dignidade, desigualdade e direito à memória.

Condição feminina

A experiência feminina aparece de maneira mais evidente em Meu livro de cordel e Crônicas de Lucy Teixeira.

As duas obras permitem discutir:

  • a presença das mulheres na produção cultural;
  • o apagamento de trajetórias femininas;
  • a valorização de experiências domésticas e cotidianas;
  • a participação feminina na preservação da memória;
  • os obstáculos ao reconhecimento intelectual e artístico.

Desigualdade social

A desigualdade não aparece apenas por meio da falta de renda. Ela também se manifesta na distribuição do poder, no acesso à educação, no prestígio cultural e na possibilidade de ter a própria história reconhecida.

Em Infância, as diferenças entre proprietários e trabalhadores revelam hierarquias sociais. Em Meu livro de cordel, pessoas e atividades pouco valorizadas ganham dignidade poética. Em Crônicas de Lucy Teixeira, o cotidiano permite observar sujeitos frequentemente ignorados.


Quadro comparativo das obras

Tema Infância Meu livro de cordel Crônicas de Lucy Teixeira
Memória Reconstrução das experiências infantis. Preservação de vivências e saberes populares. Registro de pessoas, lugares e experiências maranhenses.
Identidade Formação psicológica e individual. Identidade popular, feminina e regional. Identidade cultural maranhense.
Educação Crítica ao autoritarismo familiar e escolar. Valorização dos saberes construídos pela experiência. Literatura como preservação e transmissão cultural.
Invisibilidade Crianças, empregados e trabalhadores submetidos a hierarquias. Trabalhadores, mulheres e pessoas comuns ganham centralidade. Personagens cotidianos são incorporados à memória literária.
Cultura Oralidade, costumes e ambiente sertanejo. Cultura popular como patrimônio e conhecimento. Cultura local e memória social do Maranhão.
Linguagem Escrita objetiva, crítica e memorialística. Linguagem poética próxima da oralidade. Linguagem vinculada ao gênero crônica e à observação do cotidiano.

Como comparar duas obras na redação?

A comparação pode enriquecer o argumento, mas precisa possuir uma finalidade clara. O candidato não deve apresentar dois resumos nem acumular títulos sem análise.

Uma comparação produtiva deve:

  • definir o aspecto comum entre as obras;
  • mostrar como cada obra trata esse aspecto;
  • explicar a diferença ou semelhança relevante;
  • relacionar a comparação ao tema da redação.

Exemplo sobre memória

A literatura desempenha papel importante na preservação de experiências individuais e coletivas. Em Infância, Graciliano Ramos reconstrói lembranças fragmentadas para compreender as marcas deixadas por sua formação familiar e escolar. Já em Crônicas de Lucy Teixeira, a memória literária registra personagens, espaços e práticas ligados à sociedade maranhense. Embora partam de perspectivas diferentes, as duas obras demonstram que recordar não significa apenas recuperar o passado, mas atribuir sentido a experiências que ajudam a formar identidades.

Exemplo sobre cultura popular

A cultura popular constitui importante fonte de conhecimento e identidade. Em Meu livro de cordel, Cora Coralina transforma vozes, trabalhos e costumes populares em matéria poética. De modo semelhante, as lembranças presentes em Infância registram cantigas, narrativas orais e modos de vida do sertão. As duas obras evidenciam que práticas cotidianas também preservam a experiência histórica de uma comunidade.

Evite o excesso:

Em uma redação curta, um único repertório bem analisado costuma ser mais eficiente do que várias referências apresentadas superficialmente.


Possíveis temas de redação do PAES UEMA 2027

Não é possível prever com certeza qual será o tema da redação. Entretanto, o estudo por eixos temáticos ajuda o candidato a desenvolver repertório, aprender a formular teses e treinar argumentos adaptáveis a diferentes propostas.

As obras indicadas para o PAES UEMA 2027 favorecem discussões sobre memória, educação, cultura popular, identidade, desigualdade, infância, participação feminina e invisibilidade social.

Os temas apresentados a seguir devem ser entendidos como possibilidades de preparação, e não como previsões garantidas.

Eixo 1 — Educação e formação humana

  • Os desafios para construir uma educação baseada no diálogo e na autonomia.
  • Os impactos de práticas educativas autoritárias na formação de crianças e adolescentes.
  • A importância da leitura para o desenvolvimento do pensamento crítico.
  • Os obstáculos para a formação de leitores no Brasil.
  • O papel da escola na valorização das experiências culturais dos estudantes.
  • A relação entre desigualdade social e oportunidades educacionais.

Obra que pode ser utilizada

Infância, de Graciliano Ramos, é especialmente produtiva nesse eixo, pois apresenta relações familiares e escolares marcadas pelo medo, pela punição e pela descoberta gradual da leitura.

Exemplo de tese

A construção de uma educação verdadeiramente formativa depende da superação de práticas autoritárias e da criação de experiências de aprendizagem que estimulem diálogo, curiosidade e autonomia.

Eixo 2 — Infância e desenvolvimento emocional

  • A influência das experiências infantis na formação da personalidade.
  • Os efeitos da violência física e psicológica contra crianças.
  • A importância do afeto para o desenvolvimento infantil.
  • O papel da família e da escola na construção da autoestima.
  • Os desafios para proteger crianças em contextos de vulnerabilidade.
  • A necessidade de reconhecer crianças como sujeitos de direitos.

Obra que pode ser utilizada

Em Infância, o narrador adulto demonstra como o medo, os castigos, o silêncio e a dificuldade de compreender os adultos permaneceram em sua memória.

Exemplo de tese

Experiências infantis marcadas pela violência e pela ausência de diálogo podem produzir consequências duradouras, pois interferem na autoestima, na socialização e na relação do indivíduo com a autoridade.

Eixo 3 — Memória e identidade

  • A importância da memória coletiva para a construção da identidade social.
  • Os desafios para preservar narrativas locais.
  • O papel da literatura na conservação da memória.
  • As consequências do apagamento de experiências históricas.
  • A transmissão da memória entre gerações.
  • A relação entre lembrança individual e memória coletiva.

Obras que podem ser utilizadas

As três obras permitem desenvolver esse eixo:

  • Infância: memória individual e reconstrução do passado;
  • Meu livro de cordel: memória popular e comunitária;
  • Crônicas de Lucy Teixeira: memória cultural e regional.

Exemplo de tese

Preservar a memória coletiva é fundamental para fortalecer identidades, reconhecer experiências historicamente apagadas e transmitir às novas gerações conhecimentos que não se limitam aos registros oficiais.

Eixo 4 — Cultura popular e diversidade

  • Os desafios para valorizar a cultura popular brasileira.
  • A importância das tradições regionais para a identidade nacional.
  • Os impactos da padronização cultural sobre manifestações locais.
  • A necessidade de preservar saberes transmitidos pela oralidade.
  • O papel da escola na valorização da diversidade cultural.
  • Cultura popular e combate ao preconceito social.

Obra que pode ser utilizada

Meu livro de cordel é uma referência central, pois valoriza experiências populares, trabalhos, tradições, memórias e linguagens frequentemente afastadas dos espaços de prestígio.

Exemplo de tese

A valorização da cultura popular exige a superação de hierarquias que consideram determinadas manifestações inferiores, além da criação de ações permanentes de preservação, circulação e reconhecimento.

Eixo 5 — Identidade regional

  • A importância da literatura regional para a compreensão do Brasil.
  • Os desafios para preservar a identidade cultural maranhense.
  • A contribuição das narrativas locais para a memória nacional.
  • O patrimônio cultural como forma de pertencimento.
  • A valorização de autores e produções culturais regionais.
  • A relação entre globalização e preservação das culturas locais.

Obra que pode ser utilizada

Crônicas de Lucy Teixeira permite discutir memória, cotidiano, personagens e espaços relacionados à vida social e cultural maranhense.

Exemplo de tese

Valorizar a identidade regional não significa rejeitar outras influências culturais, mas assegurar que narrativas, costumes e experiências locais participem de maneira equilibrada da construção da memória nacional.

Eixo 6 — Invisibilidade social

  • Os desafios para dar visibilidade a grupos marginalizados.
  • A importância da representação social na garantia de direitos.
  • O papel da literatura na valorização de pessoas comuns.
  • A naturalização das desigualdades no cotidiano.
  • O apagamento de trabalhadores e comunidades das narrativas oficiais.
  • Invisibilidade social e enfraquecimento da cidadania.

Obras que podem ser utilizadas

Meu livro de cordel e Crônicas de Lucy Teixeira ajudam a reconhecer trabalhadores, mulheres e pessoas comuns como sujeitos da cultura e da memória.

Exemplo de tese

A invisibilidade social permanece quando determinados grupos possuem baixa representação nos espaços de poder e quando suas experiências são tratadas como menos relevantes para a memória coletiva.

Eixo 7 — Mulheres, memória e produção cultural

  • Os obstáculos enfrentados pelas mulheres para obter reconhecimento intelectual.
  • A contribuição feminina para a preservação da memória cultural.
  • O apagamento histórico de mulheres escritoras e artistas.
  • A valorização das experiências femininas na literatura.
  • A participação das mulheres na construção das identidades regionais.
  • Trabalho feminino e invisibilidade social.

Obras que podem ser utilizadas

Meu livro de cordel e Crônicas de Lucy Teixeira possibilitam discutir a presença feminina na literatura, na memória e na vida cultural.

Exemplo de tese

O reconhecimento da contribuição feminina para a cultura exige não apenas ampliar a presença das mulheres nos espaços de produção, mas também recuperar trajetórias que foram historicamente silenciadas.

Eixo 8 — Trabalho, dignidade e reconhecimento

  • A invisibilidade de trabalhadores essenciais à sociedade.
  • A relação entre trabalho e identidade.
  • Os efeitos da hierarquização das profissões.
  • A valorização dos saberes adquiridos pela experiência.
  • Trabalho informal e ausência de reconhecimento social.
  • A dignidade do trabalho nas manifestações literárias.

Obra que pode ser utilizada

Em Meu livro de cordel, pessoas e atividades cotidianas ganham valor poético, permitindo discutir a dignidade do trabalho e a produção de saberes fora dos espaços acadêmicos.

Exemplo de tese

A desvalorização de determinados trabalhos decorre de uma hierarquia social que associa dignidade e prestígio apenas à remuneração ou à formação institucional, ignorando conhecimentos produzidos pela experiência.

Eixo 9 — Literatura e transformação social

  • O papel da literatura na formação do pensamento crítico.
  • A literatura como forma de preservar experiências sociais.
  • A importância da leitura para compreender diferentes realidades.
  • A representação de grupos marginalizados nas obras literárias.
  • Literatura, empatia e reconhecimento da diversidade.
  • O acesso à literatura como direito cultural.

Obras que podem ser utilizadas

As três obras mostram que a literatura pode registrar experiências, questionar desigualdades, preservar memórias e ampliar a compreensão do leitor sobre a sociedade.

Exemplo de tese

A literatura contribui para a transformação social ao tornar visíveis experiências pouco reconhecidas, preservar memórias e permitir que o leitor entre em contato com perspectivas diferentes da sua.

Eixo 10 — Patrimônio e preservação cultural

  • Os desafios para preservar o patrimônio material e imaterial.
  • A importância da participação comunitária na preservação cultural.
  • O papel das instituições de ensino na educação patrimonial.
  • A relação entre patrimônio, memória e identidade.
  • Os efeitos do abandono de espaços históricos.
  • Tradições orais como patrimônio cultural.

Obras que podem ser utilizadas

Meu livro de cordel e Crônicas de Lucy Teixeira podem fundamentar discussões sobre preservação de saberes, costumes, narrativas e identidades regionais.

Exemplo de tese

A preservação do patrimônio cultural depende de políticas permanentes, mas também da participação das comunidades, pois são elas que atribuem sentido aos espaços, práticas e tradições transmitidos entre gerações.


Como estudar os possíveis temas?

O estudante não deve tentar decorar uma redação completa para cada tema. O mais eficiente é construir um banco de argumentos e repertórios organizados por eixos.

Para cada eixo, produza:

  1. uma definição do problema;
  2. duas possíveis causas;
  3. duas consequências;
  4. dois repertórios socioculturais;
  5. uma tese;
  6. um parágrafo argumentativo;
  7. uma possibilidade de conclusão.

Modelo de ficha temática

Eixo Memória e identidade.
Problema Narrativas locais e experiências de grupos comuns recebem pouca atenção.
Causa 1 Predomínio de versões históricas concentradas em figuras de prestígio.
Causa 2 Falta de registro e preservação das tradições orais.
Consequência Enfraquecimento da identidade e apagamento de experiências coletivas.
Repertório Crônicas de Lucy Teixeira.
Tese Preservar a memória coletiva exige ampliar o registro de narrativas locais e reconhecer grupos historicamente apagados.

Para conhecer uma lista ampliada de propostas e análises temáticas, acesse:

possíveis temas de redação do PAES UEMA 2027 .


Coesão, conectivos e progressão textual

A coesão é o conjunto de recursos responsáveis por conectar palavras, frases, períodos e parágrafos. Ela ajuda o leitor a acompanhar o raciocínio e compreender como uma ideia se relaciona à outra.

Entretanto, produzir um texto coeso não significa apenas inserir muitos conectivos. É necessário escolher palavras adequadas à relação de sentido que se deseja construir.

Expressões como além disso, portanto, contudo, por exemplo, desse modo e em consequência possuem funções diferentes. Quando são usadas de maneira inadequada, podem gerar contradições ou tornar o texto artificial.

Importante:

Os conectivos devem tornar o raciocínio mais claro. Eles não substituem a relação lógica entre as ideias.

O que é progressão textual?

A progressão textual ocorre quando cada frase ou parágrafo acrescenta uma informação nova ao raciocínio.

Um texto sem progressão costuma repetir a mesma ideia várias vezes:

A leitura é importante para a sociedade. Além disso, ler é muito importante para as pessoas. Por isso, a leitura possui grande importância no mundo atual.

Embora existam conectivos, não há avanço argumentativo. As três frases repetem a mesma afirmação.

Veja uma versão com progressão:

A leitura contribui para a formação crítica porque amplia o repertório do indivíduo e permite o contato com diferentes perspectivas. Além disso, favorece a interpretação de informações e a participação mais consciente nos debates sociais. Por essa razão, a formação de leitores não deve ser tratada apenas como responsabilidade individual, mas como compromisso educacional e cultural.

Nesse caso, cada frase amplia a anterior.


Principais relações de sentido entre as ideias

Relação Conectivos e expressões Exemplo
Adição além disso, também, ainda, bem como, igualmente A leitura amplia o repertório. Além disso, favorece a interpretação crítica.
Oposição porém, contudo, entretanto, todavia, apesar disso Os livros estão disponíveis em formato digital. Contudo, o acesso tecnológico não é igual para todos.
Causa porque, visto que, uma vez que, em razão de, devido a Muitas tradições desaparecem porque não são registradas nem transmitidas às novas gerações.
Consequência por isso, portanto, desse modo, assim, em consequência A memória local recebe pouco investimento. Por isso, arquivos e patrimônios ficam vulneráveis ao abandono.
Explicação pois, porque, isto é, ou seja, em outras palavras A literatura preserva experiências, ou seja, transforma vivências individuais e coletivas em registro cultural.
Exemplificação por exemplo, como se observa, a exemplo de, entre outros Algumas obras valorizam experiências populares, como se observa em Meu livro de cordel.
Comparação do mesmo modo, assim como, de maneira semelhante, tal como Assim como os monumentos preservam a memória material, as narrativas orais conservam experiências coletivas.
Condição se, caso, desde que, contanto que A cultura popular poderá ser preservada desde que existam ações permanentes de incentivo e registro.
Finalidade para, a fim de, com o objetivo de, com a finalidade de Bibliotecas precisam ser ampliadas a fim de democratizar o acesso aos livros.
Conclusão em síntese, portanto, diante disso, assim, em conclusão Em síntese, preservar a memória significa proteger identidades e experiências coletivas.

Como usar conectivos entre os parágrafos?

Os conectivos também ajudam a mostrar a relação entre os parágrafos de desenvolvimento.

Considere uma redação sobre os desafios para valorizar a cultura popular.

O primeiro desenvolvimento pode tratar do preconceito cultural:

Em primeiro lugar, a desvalorização da cultura popular está relacionada à hierarquização entre manifestações consideradas eruditas e expressões associadas às classes populares.

O segundo desenvolvimento pode acrescentar uma causa institucional:

Além desse preconceito simbólico, a fragilidade das ações institucionais também dificulta a preservação das manifestações populares.

A expressão “além desse preconceito simbólico” retoma o argumento anterior e mostra que o novo parágrafo acrescentará outro aspecto do problema.

Outras formas de iniciar o segundo desenvolvimento

  • Além desse fator, a ausência de políticas permanentes também contribui para o problema.
  • A esse cenário soma-se a baixa participação das instituições de ensino.
  • Outro aspecto relevante está relacionado à falta de representação.
  • Não menos importante é o impacto da desigualdade de acesso.
  • Paralelamente, a desvalorização social interfere na continuidade dessas práticas.
Evite a repetição automática:

Não é necessário começar todos os parágrafos com “primeiramente”, “segundamente” e “portanto”. Varie as construções de acordo com a relação entre as ideias.


Coesão referencial: como evitar repetições?

A coesão referencial ocorre quando o texto retoma uma palavra, pessoa, ideia ou situação já mencionada.

Observe a repetição:

A cultura popular precisa ser valorizada. A cultura popular preserva memórias. A cultura popular também fortalece a identidade.

Uma versão mais adequada seria:

A cultura popular precisa ser valorizada, pois preserva memórias e fortalece a identidade coletiva. Essas manifestações também registram saberes, linguagens e experiências transmitidos entre gerações.

A expressão “essas manifestações” retoma “cultura popular” sem repetir o mesmo termo.

Recursos de retomada

  • pronomes: ele, ela, eles, elas, esse, essa, isso;
  • sinônimos e expressões equivalentes;
  • termos mais amplos ou específicos;
  • elipse, quando a palavra pode ser omitida sem prejudicar a clareza;
  • expressões como “essa realidade”, “esse cenário” e “tal problema”.

Exemplo de substituição lexical

Termo inicial Possíveis retomadas
Cultura popular essas manifestações, esse patrimônio, tais expressões culturais
Leitura essa prática, o contato com os livros, a atividade leitora
Desigualdade social esse problema, tal disparidade, essa realidade
Memória coletiva esse patrimônio simbólico, essas lembranças compartilhadas, esse conjunto de experiências
Violência na infância essa forma de agressão, tais práticas, esse tipo de violação

Cuidado com pronomes ambíguos

Um pronome pode prejudicar a clareza quando há mais de um termo ao qual ele pode se referir.

A escola deve dialogar com a família porque ela influencia a formação da criança.

O pronome “ela” pode se referir tanto à escola quanto à família.

Uma versão mais clara seria:

A escola deve dialogar com a família porque ambas influenciam a formação da criança.


Como construir progressão entre as frases?

Uma estratégia eficiente é organizar as frases em uma sequência de perguntas e respostas.

Exemplo:

  1. Qual é o argumento?
  2. Como ele funciona?
  3. Que exemplo pode comprová-lo?
  4. O que esse exemplo revela?
  5. Qual é a consequência?

Aplicação:

A baixa representatividade contribui para a invisibilidade social. Isso ocorre porque grupos marginalizados possuem pouca participação nos espaços em que as narrativas públicas são produzidas. Em muitas situações, suas experiências aparecem apenas por meio de estereótipos ou do olhar de outras pessoas. Como resultado, suas necessidades são percebidas de forma incompleta e sua participação social permanece limitada. Desse modo, ampliar a representação significa também reconhecer esses grupos como sujeitos de direitos e produtores de conhecimento.

O parágrafo avança porque cada frase responde a uma etapa do raciocínio.


Erros frequentes no uso de conectivos

1. Utilizar conectivo de oposição sem oposição

A leitura amplia o repertório. Entretanto, contribui para a formação crítica.

As duas ideias são complementares, não opostas.

O adequado seria:

A leitura amplia o repertório e, além disso, contribui para a formação crítica.

2. Usar “portanto” antes de apresentar uma conclusão

A escola possui papel importante. Portanto, muitos estudantes não têm acesso a bibliotecas.

A segunda frase não é consequência direta da primeira.

3. Repetir o mesmo conectivo

O uso excessivo de “além disso”, “nesse sentido” ou “dessa forma” torna o texto previsível.

Varie apenas quando houver alternativas adequadas. Não substitua um conectivo por outro que altere o sentido.

4. Começar todas as frases com conectivos

Nem todo período precisa de uma expressão inicial. Muitas ideias podem ser ligadas pela própria construção sintática.

5. Utilizar conectivos muito informais

Em textos formais, evite expressões como:

  • “aí”;
  • “daí”;
  • “só que”;
  • “e também tem”;
  • “por causa que”;
  • “tipo assim”.

Exercício de coesão

Reescreva o trecho abaixo, evitando repetições:

A memória coletiva é importante. A memória coletiva preserva a história. A memória coletiva ajuda as pessoas a compreenderem sua identidade. A memória coletiva precisa ser protegida.

Possível resposta

A memória coletiva é fundamental porque preserva experiências históricas e ajuda os indivíduos a compreenderem sua identidade. Por essa razão, esse patrimônio simbólico precisa ser protegido e transmitido entre as gerações.


Domínio da norma-padrão

O domínio da norma-padrão corresponde à capacidade de escrever de acordo com as convenções formais da língua portuguesa.

Isso não significa utilizar palavras difíceis ou construir períodos excessivamente longos. A linguagem deve ser clara, precisa e adequada à situação de escrita.

Entre os aspectos que merecem atenção estão:

  • ortografia;
  • acentuação;
  • pontuação;
  • concordância verbal e nominal;
  • regência verbal e nominal;
  • uso da crase;
  • colocação pronominal;
  • construção dos períodos;
  • escolha vocabular;
  • adequação do nível de linguagem.
Clareza antes de sofisticação:

Uma frase simples e correta é melhor do que um período longo, repleto de palavras incomuns e relações pouco claras.


Pontuação: como evitar períodos confusos?

A pontuação organiza as ideias e indica as relações sintáticas. Um dos problemas mais frequentes é a construção de períodos muito longos, com várias informações ligadas apenas por vírgulas.

Período excessivamente longo

A leitura é importante para os jovens porque ajuda no desenvolvimento e também amplia o conhecimento e a escola deve incentivar os alunos e criar projetos porque muitos estudantes não possuem livros em casa e isso é um problema que precisa ser resolvido.

A frase reúne muitas ideias sem organização.

Versão revisada

A leitura é importante para os jovens porque amplia o conhecimento e contribui para o desenvolvimento crítico. Nesse processo, a escola deve incentivar o contato com os livros e criar projetos de formação de leitores. Essa atuação é especialmente necessária em contextos nos quais os estudantes não possuem acervo disponível em casa.

Uso da vírgula

Evite separar por vírgula:

  • sujeito e verbo;
  • verbo e complemento;
  • nome e complemento nominal;
  • oração principal e oração subordinada substantiva.

Exemplo inadequado:

A falta de acesso aos livros, prejudica a formação de leitores.

Exemplo adequado:

A falta de acesso aos livros prejudica a formação de leitores.


Concordância verbal

O verbo deve concordar com o núcleo do sujeito.

Exemplo inadequado

A falta de bibliotecas e de projetos de leitura prejudica os estudantes.

Nesse caso, o sujeito apresenta dois núcleos: “falta” não é o núcleo dos dois elementos. Uma construção mais clara seria:

A ausência de bibliotecas e a escassez de projetos de leitura prejudicam os estudantes.

Verbo haver com sentido de existir

O verbo “haver”, quando significa “existir”, permanece no singular.

Há muitos desafios para a preservação da memória coletiva.

Evite:

Houveram muitos desafios.

Verbo fazer indicando tempo

Também permanece no singular:

Faz muitos anos que esse problema é discutido.


Concordância nominal

Artigos, adjetivos, pronomes e numerais devem concordar com o substantivo a que se referem.

Exemplo inadequado:

É necessário políticas públicas permanentes.

Exemplo adequado:

São necessárias políticas públicas permanentes.

Outra possibilidade:

É necessária a criação de políticas públicas permanentes.


Regência e crase

A regência indica a relação entre verbos ou nomes e seus complementos.

Exemplos

  • contribuir para a formação;
  • ter acesso a livros;
  • assistir a um filme, no sentido de ver;
  • referir-se a uma obra;
  • favorecer o desenvolvimento, sem preposição;
  • implicar mudanças, sem preposição no sentido de acarretar.

Uso da crase

A crase ocorre quando há união da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou “as”.

O acesso à leitura contribui para a formação crítica.

O nome “acesso” exige a preposição “a”, e “leitura” admite o artigo “a”.

Não há crase diante de verbo:

A escola deve incentivar os estudantes a ler.

Também não há crase diante de palavra masculina:

O estudante teve acesso a livros digitais.


Escolha vocabular

O vocabulário deve ser preciso e adequado ao sentido.

Evite palavras muito amplas, como:

  • coisa;
  • negócio;
  • problema, quando é possível nomeá-lo;
  • muito importante, sem explicação;
  • bom ou ruim, sem critério;
  • hoje em dia, quando o período não é necessário.

Exemplo vago

A cultura popular é uma coisa muito importante para as pessoas.

Versão precisa

A cultura popular preserva saberes, práticas e referências que fortalecem o sentimento de pertencimento das comunidades.

Cuidado com palavras difíceis

Não utilize termos cujo significado ou regência você não domina. O excesso de palavras rebuscadas pode tornar a redação artificial e imprecisa.


Adequação da linguagem

A redação exige linguagem formal. Isso significa evitar marcas típicas da conversa cotidiana, abreviações e expressões excessivamente pessoais.

Evite

  • “a gente vê que”;
  • “eu acho que”;
  • “todo mundo sabe”;
  • “isso é superimportante”;
  • “os jovens não estão nem aí”;
  • abreviações usadas em mensagens digitais;
  • emojis ou sinais informais.

Prefira

  • “observa-se que”;
  • “é possível perceber”;
  • “parte da sociedade”;
  • “essa questão possui relevância”;
  • “determinados comportamentos revelam”;
  • “o problema pode ser analisado a partir de”.

O uso da primeira pessoa depende do gênero e das orientações da proposta. Em um texto dissertativo-argumentativo formal, costuma ser mais seguro apresentar o posicionamento sem recorrer repetidamente a “eu penso” ou “na minha opinião”.


Erros gramaticais frequentes

Forma inadequada Forma adequada
A nível de educação No campo da educação / em relação à educação
Há anos atrás Há anos / anos atrás
De encontro a, no sentido de concordância Ao encontro de
Onde, para retomar uma situação abstrata Em que / na qual
Por causa que Porque / em razão de
Para mim fazer Para eu fazer
Houveram problemas Houve problemas
Fazem anos Faz anos
Menos oportunidades Menos oportunidades
Seje Seja

Como revisar a linguagem?

A revisão deve ocorrer em etapas. Tentar verificar todos os aspectos ao mesmo tempo pode fazer com que alguns erros passem despercebidos.

  1. Primeira leitura: confira se o texto responde ao tema.
  2. Segunda leitura: verifique a relação entre tese e argumentos.
  3. Terceira leitura: procure repetições, ambiguidades e períodos longos.
  4. Quarta leitura: revise concordância, regência, crase, ortografia e pontuação.
  5. Última leitura: confira se nenhuma palavra foi omitida ou repetida durante a passagem a limpo.
Dica prática:

Leia cada período e localize seu verbo principal. Depois, verifique quem pratica ou sofre a ação. Esse procedimento ajuda a identificar erros de concordância e frases sem estrutura completa.


Erros que podem diminuir a nota da redação

Alguns problemas afetam apenas um aspecto da avaliação, enquanto outros podem comprometer toda a redação. Por isso, o candidato precisa conhecer tanto os erros linguísticos quanto os problemas de conteúdo e estrutura.

1. Fuga ao tema

Ocorre quando o texto discute outro assunto e não responde ao problema apresentado.

Exemplo:

Em uma proposta sobre os desafios para preservar a memória cultural, o candidato escreve apenas sobre a importância da tecnologia, sem relacioná-la à memória, ao patrimônio ou à identidade.

2. Tangenciamento

O texto menciona o tema, mas desenvolve apenas um aspecto secundário.

Em uma proposta sobre invisibilidade social, por exemplo, a redação pode citar grupos marginalizados na introdução e discutir apenas pobreza, sem analisar representação, reconhecimento ou apagamento social.

3. Descumprimento do gênero solicitado

Se a proposta solicitar um texto específico, o candidato deve respeitar sua finalidade e estrutura.

Não se deve produzir automaticamente uma dissertação caso o comando exija outro gênero.

4. Ausência de tese

O texto apresenta informações sobre o assunto, mas não deixa claro qual posição será defendida.

5. Argumentação superficial

O candidato enumera causas ou consequências sem explicá-las.

O problema acontece por falta de educação, investimento, conscientização e políticas públicas.

Essa frase reúne vários fatores, mas não desenvolve nenhum.

6. Repetição de ideias

Os parágrafos apresentam a mesma informação com palavras diferentes.

A repetição impede a progressão textual e reduz a profundidade da análise.

7. Repertório sem relação com o argumento

Uma obra, lei ou autor é citado apenas para ornamentar o texto.

8. Resumo excessivo de obra

Ao utilizar literatura, o candidato narra personagens e acontecimentos, mas não explica sua relação com o tema.

9. Cópia dos textos motivadores

Os textos da coletânea devem servir como ponto de partida. A simples cópia ou reescrita demonstra pouca autoria e limita o desenvolvimento.

10. Dados inventados

Criar porcentagens ou atribuir informações imprecisas a instituições pode comprometer a credibilidade da argumentação.

11. Afirmações absolutas

Expressões como “todos”, “ninguém”, “sempre” e “nunca” devem ser usadas apenas quando realmente puderem ser comprovadas.

12. Contradição

A introdução defende uma ideia, mas os parágrafos seguintes apresentam posicionamento diferente ou incompatível.

13. Conclusão desconectada

O candidato introduz soluções ou questões que não foram discutidas no desenvolvimento.

14. Linguagem informal

Marcas de oralidade, abreviações e expressões coloquiais prejudicam a adequação ao contexto formal.

15. Períodos incompletos

Algumas frases não apresentam verbo principal ou dependem de uma oração que não foi concluída.

Devido à falta de bibliotecas e projetos de leitura nas comunidades.

O trecho apresenta uma causa, mas não informa sua consequência.

Versão completa:

Devido à falta de bibliotecas e projetos de leitura nas comunidades, muitos estudantes encontram dificuldades para manter contato regular com os livros.

16. Parágrafos excessivamente longos

Um parágrafo muito extenso pode reunir vários argumentos e dificultar a compreensão.

17. Parágrafos muito curtos

Quando possuem apenas uma ou duas frases, podem indicar que a ideia não foi suficientemente desenvolvida.

18. Letra ilegível e rasuras

A apresentação da folha definitiva deve permitir a leitura clara do texto. Rasuras excessivas e palavras sobrepostas podem prejudicar a compreensão.

19. Identificação indevida

Assinaturas, nomes, marcas ou outros sinais de identificação devem ser evitados quando as regras da prova assim determinarem.

20. Desrespeito às orientações formais

Número de linhas, uso da folha definitiva, título e demais exigências devem ser conferidos no edital e no caderno de prova da edição vigente.

Atenção:

As situações específicas de nota zero ou eliminação devem ser verificadas nos documentos oficiais do PAES correspondente. Nunca use regras de outra prova como se fossem automaticamente válidas para a UEMA.


Exemplo de texto com problemas

Hoje em dia a cultura é muito importante e todo mundo precisa valorizar, pois desde os primórdios ela existe e sem cultura ninguém vive. Além disso, falta conscientização da sociedade e do governo, sendo que Cora Coralina já dizia que a cultura é importante. Portanto, devem criar projetos e melhorar tudo, para que o problema seja resolvido.

Problemas identificados

  • introdução genérica;
  • uso de “todo mundo”;
  • afirmações absolutas;
  • ausência de recorte temático;
  • tese imprecisa;
  • argumento vago sobre conscientização;
  • referência literária inventada ou não explicada;
  • conclusão genérica;
  • ausência de agentes e ações específicas;
  • expressão vaga: “melhorar tudo”.

Versão aprimorada

As manifestações culturais populares preservam saberes, memórias e formas de expressão fundamentais para a identidade brasileira. Entretanto, muitas delas ainda recebem pouco reconhecimento social e institucional. Essa desvalorização está relacionada à hierarquização entre diferentes formas de cultura e à ausência de ações permanentes de preservação e divulgação. Em Meu livro de cordel, Cora Coralina transforma experiências populares e trabalhos cotidianos em matéria poética, demonstrando que saberes construídos fora dos espaços eruditos também possuem valor histórico. Dessa maneira, ampliar o reconhecimento dessas manifestações exige iniciativas educacionais e culturais que assegurem sua transmissão entre gerações.


Modelo de planejamento de redação

Antes de começar a escrever, reserve alguns minutos para organizar as ideias. Um bom planejamento evita fugas ao tema, repetições e argumentos superficiais.

Passo 1 — Identifique o tema

Pergunte a si mesmo:

  • Qual é o problema apresentado?
  • Qual aspecto deve ser discutido?
  • O que a banca realmente deseja que eu analise?

Passo 2 — Defina sua tese

Resuma seu posicionamento em uma única frase.

Exemplo:
A valorização da cultura popular depende tanto da educação quanto de políticas permanentes de preservação.

Passo 3 — Escolha dois argumentos

Desenvolvimento 1 Desenvolvimento 2
Primeira causa ou problema. Segunda causa ou consequência.

Passo 4 — Separe um repertório

Escolha apenas uma referência que realmente fortaleça o argumento.

  • Infância → educação, infância, memória.
  • Meu livro de cordel → cultura popular e identidade.
  • Crônicas de Lucy Teixeira → memória regional e cotidiano.

Passo 5 — Planeje a conclusão

Pense em uma solução coerente com os problemas discutidos durante o texto.


Exemplo de redação comentada

Veja um exemplo resumido de organização.

Parte Função
Introdução Apresenta o tema e a tese.
Desenvolvimento 1 Explica o primeiro argumento.
Desenvolvimento 2 Apresenta outro aspecto do problema.
Conclusão Retoma a tese e apresenta uma proposta.

Observe que cada parágrafo possui uma função específica. Evite misturar vários argumentos no mesmo desenvolvimento.


Checklist para revisar sua redação

Antes de passar o texto para a folha definitiva, confira:

  • ☐ Respondi exatamente ao tema proposto?
  • ☐ Minha introdução apresenta uma tese clara?
  • ☐ Cada desenvolvimento possui apenas um argumento principal?
  • ☐ O repertório está relacionado ao argumento?
  • ☐ A conclusão retoma a discussão?
  • ☐ Há repetições desnecessárias?
  • ☐ Revisei ortografia e pontuação?
  • ☐ Minha letra está legível?

Como estudar redação para o PAES UEMA?

A preparação deve combinar teoria, leitura e prática constante.

Um roteiro eficiente é:

  1. Estude a estrutura da redação.
  2. Leia as obras obrigatórias do PAES.
  3. Analise temas sociais atuais.
  4. Produza uma redação por semana.
  5. Revise os erros encontrados.
  6. Reescreva os textos corrigidos.

Também é importante acompanhar as análises das obras obrigatórias:


Perguntas frequentes

Preciso citar uma obra obrigatória na redação?

Não. O repertório literário é um recurso para fortalecer a argumentação, mas não é obrigatório. O importante é que qualquer referência utilizada esteja relacionada ao tema.

Posso utilizar apenas uma obra?

Sim. Um único repertório bem desenvolvido costuma ser mais eficiente do que várias referências superficiais.

Quantos argumentos devo apresentar?

Em geral, dois argumentos bem desenvolvidos são suficientes para uma boa redação.

É necessário decorar citações?

Não. É mais importante compreender as ideias das obras do que memorizar frases de autores.

Como melhorar minha argumentação?

Leia redações bem avaliadas, pratique semanalmente e revise seus próprios textos para identificar erros recorrentes.


Conclusão

Uma boa redação do PAES UEMA depende da combinação entre interpretação da proposta, organização das ideias, argumentação consistente e domínio da escrita formal.

Além disso, conhecer profundamente as obras obrigatórias permite construir repertórios mais relevantes e produzir textos com maior profundidade analítica.

Continue seus estudos consultando as análises literárias e os possíveis temas de redação do PAES UEMA 2027 , ampliando seu repertório para chegar mais preparado ao vestibular.


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Referências

  • BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
  • BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional.
  • CANDIDO, Antonio. Vários escritos. São Paulo: Duas Cidades.
  • CANDIDO, Antonio. A educação pela noite e outros ensaios. São Paulo: Ática.
  • CORALINA, Cora. Meu livro de cordel. São Paulo: Global Editora.
  • FERNANDES, Ceres Costa (org.). Crônicas de Lucy Teixeira. São Luís: Academia Maranhense de Letras.
  • FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra.
  • RAMOS, Graciliano. Infância. Rio de Janeiro: Record.
  • UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO (UEMA). Relação das obras literárias obrigatórias do PAES 2027. São Luís: UEMA, 2026. :contentReference[oaicite:0]{index=0}

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