Gêneros Discursivos: o que são, tipos, características e exemplos
Os gêneros discursivos são formas relativamente estáveis de uso da linguagem que surgem das diferentes necessidades de comunicação existentes na sociedade. Eles estão presentes nas conversas do cotidiano, nas mensagens enviadas pelo celular, nas notícias, nos anúncios publicitários, nos textos acadêmicos, nas aulas, nas entrevistas, nas redes sociais e em inúmeras outras situações de interação.
Isso significa que não nos comunicamos por meio de textos produzidos de maneira aleatória. Cada situação comunicativa cria determinadas expectativas sobre o que será dito, para quem será dito, com qual finalidade, em que linguagem e de que maneira o discurso será organizado. Essas regularidades dão origem aos diferentes gêneros discursivos.
Por exemplo, uma notícia tem características diferentes de uma receita culinária, de uma carta, de um artigo científico ou de uma mensagem instantânea. Embora todos sejam formas de linguagem, cada gênero atende a uma necessidade comunicativa específica e circula em determinadas situações sociais.
Compreender os gêneros discursivos é fundamental para desenvolver competências de leitura, interpretação, escrita e oralidade. Esse conhecimento também é importante para provas como ENEM, vestibulares e concursos, nas quais o estudante precisa reconhecer a finalidade, o público, a linguagem e os efeitos de sentido produzidos por diferentes textos.
O que são gêneros discursivos?
Os gêneros discursivos são formas de organização da linguagem utilizadas pelos sujeitos para participar de diferentes situações sociais de comunicação. Eles se constituem historicamente e apresentam características que permitem aos participantes de uma interação reconhecer, produzir e interpretar determinados tipos de discurso.
Quando uma pessoa recebe um texto iniciado por uma saudação, seguido de uma mensagem dirigida a alguém e encerrado por uma despedida, por exemplo, pode reconhecer características próprias de uma carta ou mensagem pessoal. Da mesma forma, ao encontrar um título, informações sobre um acontecimento recente, dados e declarações de fontes, o leitor pode identificar características de uma notícia.
Portanto, reconhecer um gênero discursivo não significa apenas identificar a aparência de um texto. É necessário compreender por que aquele texto foi produzido, quem participa da interação, onde ele circula, para quem se dirige e quais recursos linguísticos e discursivos são utilizados.
O conceito está associado principalmente aos estudos do filósofo e linguista russo Mikhail Bakhtin, para quem a linguagem deve ser compreendida como uma prática social e histórica. A comunicação acontece por meio de enunciados produzidos em diferentes campos da atividade humana, e esses enunciados apresentam formas relativamente estáveis.
Ideia central
Os gêneros discursivos não são simplesmente modelos prontos que as pessoas decoram. Eles são formas de interação construídas socialmente e modificadas de acordo com as necessidades comunicativas de cada época e comunidade.
Por que Bakhtin é importante para o estudo dos gêneros discursivos?
A contribuição de Mikhail Bakhtin é fundamental porque desloca o estudo da linguagem de uma perspectiva exclusivamente voltada para regras gramaticais e estruturas formais para uma compreensão da linguagem como atividade social e interativa.
Para Bakhtin, a linguagem está presente nas diferentes atividades realizadas pelos seres humanos. Como as atividades sociais são diversas, também são diversas as formas de comunicação utilizadas pelos indivíduos.
Uma conversa entre amigos, uma consulta médica, uma aula, uma entrevista jornalística, uma reunião de trabalho e uma pesquisa científica são situações comunicativas diferentes. Consequentemente, cada uma delas pode mobilizar gêneros discursivos próprios.
Os gêneros, portanto, estão relacionados às práticas sociais. Eles não existem isoladamente: surgem porque determinadas comunidades precisam comunicar informações, expressar opiniões, orientar comportamentos, narrar acontecimentos, estabelecer relações, defender ideias, ensinar, informar ou realizar diversas outras ações por meio da linguagem.
Os três elementos dos gêneros discursivos
Na perspectiva bakhtiniana, os gêneros discursivos apresentam três elementos fundamentais: conteúdo temático, estilo e construção composicional. Esses elementos estão relacionados entre si e são determinados pelas condições concretas da situação comunicativa.
Conteúdo temático
O conteúdo temático corresponde ao assunto e ao modo como determinado tema é abordado no gênero. Não se trata simplesmente de identificar uma palavra ou um assunto isolado, mas de observar quais sentidos e questões são desenvolvidos naquele contexto comunicativo.
Uma notícia pode tratar de uma eleição, por exemplo, enquanto um editorial pode abordar o mesmo acontecimento. Entretanto, o modo de tratar o tema será diferente, porque as finalidades e posições discursivas desses gêneros também são diferentes.
Estilo
O estilo corresponde às escolhas linguísticas e discursivas realizadas na produção do enunciado. Essas escolhas envolvem vocabulário, grau de formalidade, construção das frases, emprego de determinados recursos expressivos e outras características relacionadas à situação de comunicação.
Uma mensagem enviada a um amigo pode utilizar abreviações, linguagem informal e emojis. Já um artigo científico tende a utilizar linguagem mais especializada, objetiva e adequada ao contexto acadêmico.
Construção composicional
A construção composicional diz respeito à maneira como o gênero costuma organizar suas partes. Cada gênero apresenta determinadas regularidades de composição, embora essas regularidades não sejam absolutamente rígidas.
Uma notícia, por exemplo, costuma apresentar título, informações sobre o acontecimento e desenvolvimento das informações. Uma carta pode apresentar local e data, saudação, desenvolvimento da mensagem, despedida e assinatura. Um anúncio publicitário pode combinar slogan, imagem, texto verbal e outros recursos para atingir seu objetivo.
Os três elementos fundamentais
- Conteúdo temático: o que é abordado e como o tema é desenvolvido.
- Estilo: as escolhas linguísticas e discursivas utilizadas.
- Construção composicional: a maneira como o gênero organiza suas partes.
O que determina a escolha de um gênero discursivo?
A escolha de um gênero está relacionada às características da situação comunicativa. Quando produzimos um texto, não escolhemos apenas palavras e frases: escolhemos também uma forma socialmente reconhecida de realizar determinada ação comunicativa.
Entre os fatores que influenciam essa escolha estão:
- Finalidade comunicativa: informar, convencer, solicitar, orientar, narrar, explicar, criticar, entre outras possibilidades;
- Interlocutores: quem produz o texto e quem deverá recebê-lo ou interpretá-lo;
- Contexto: a situação social em que ocorre a comunicação;
- Suporte: o meio pelo qual o gênero circula, como papel, televisão, rádio, site ou rede social;
- Esfera de circulação: ambiente social em que o gênero é utilizado, como jornalístico, acadêmico, escolar, publicitário, profissional ou cotidiano;
- Linguagem: escolhas linguísticas e recursos semióticos adequados à situação;
- Estrutura composicional: organização relativamente estável que caracteriza o gênero.
Exemplo: imagine que uma pessoa precise comunicar oficialmente à direção de uma escola que não poderá comparecer a determinada atividade. Uma mensagem informal enviada a um amigo não seria necessariamente adequada. Dependendo da situação, poderia ser necessário produzir um e-mail formal, requerimento ou comunicado.
A necessidade comunicativa, portanto, influencia a escolha do gênero e também as características linguísticas que serão utilizadas.
Principais características dos gêneros discursivos
Embora existam inúmeros gêneros discursivos, eles apresentam algumas características gerais que ajudam a compreender seu funcionamento.
- São sociais: surgem das práticas de comunicação existentes na sociedade;
- São históricos: transformam-se ao longo do tempo;
- Possuem finalidade comunicativa: são utilizados para realizar determinadas ações por meio da linguagem;
- Apresentam relativa estabilidade: possuem características reconhecíveis, mas não são estruturas completamente rígidas;
- Relacionam-se ao contexto: sua produção e interpretação dependem da situação comunicativa;
- Apresentam interlocutores: são produzidos considerando quem participa da interação;
- Podem utilizar diferentes linguagens: texto verbal, imagem, som, movimento e outros recursos podem aparecer combinados;
- Podem sofrer transformações: mudanças culturais e tecnológicas podem modificar gêneros existentes ou favorecer o surgimento de novos gêneros.
Gêneros discursivos não são estruturas totalmente rígidas
A expressão “relativamente estáveis” é importante para compreender a teoria dos gêneros discursivos. Isso significa que os gêneros possuem características que permitem reconhecê-los, mas essas características não precisam permanecer exatamente iguais em todas as situações.
Uma notícia publicada em um jornal impresso, por exemplo, pode apresentar características diferentes de uma notícia publicada em um portal digital. O gênero continua reconhecível, mas o suporte, os recursos utilizados, a extensão e a organização podem mudar.
O mesmo ocorre com gêneros que circulam nas redes sociais. Uma postagem pode combinar texto, fotografia, vídeo, música, emojis, links e outros elementos. As transformações tecnológicas modificam as formas de produção e circulação dos discursos.
Dica de prova
Quando uma questão mencionar que os gêneros discursivos são relativamente estáveis, não interprete isso como ausência de regras ou como estruturas imutáveis. A ideia é que os gêneros possuem regularidades reconhecíveis, mas podem sofrer adaptações conforme a situação e as transformações sociais.
Gêneros discursivos primários e secundários
Uma classificação importante na teoria de Bakhtin distingue os gêneros discursivos em primários e secundários. Essa classificação está relacionada principalmente ao grau de complexidade das situações de comunicação em que esses gêneros se constituem.
Gêneros discursivos primários
Os gêneros primários, também chamados de simples, são constituídos principalmente nas situações mais imediatas e cotidianas de comunicação. Eles aparecem nas relações sociais do dia a dia e estão frequentemente associados à comunicação espontânea.
Conversas, diálogos cotidianos, recados e determinadas mensagens pessoais são exemplos de gêneros que podem apresentar características de comunicação primária.
Exemplos:
- Conversa cotidiana;
- Diálogo informal;
- Recado;
- Bilhete;
- Mensagem pessoal;
- Interação espontânea.
Gêneros discursivos secundários
Os gêneros secundários, também chamados de complexos, aparecem em situações comunicativas mais elaboradas, geralmente relacionadas a esferas sociais organizadas, como a literatura, a ciência, o jornalismo, a educação e as instituições.
Eles podem incorporar ou transformar elementos de gêneros primários. Um romance, por exemplo, pode representar diálogos cotidianos entre personagens, mas esses diálogos passam a fazer parte de uma construção literária mais ampla.
Exemplos:
- Romance;
- Artigo científico;
- Reportagem;
- Editorial;
- Ensaio;
- Palestra;
- Dissertação acadêmica.
Gêneros primários
Relacionados principalmente a situações comunicativas mais imediatas e cotidianas.
Exemplo: conversa informal.
Gêneros secundários
Relacionados a situações comunicativas mais elaboradas e organizadas socialmente.
Exemplo: artigo científico.
Gênero discursivo e situação comunicativa
Um dos aspectos mais importantes para compreender um gênero discursivo é observar a situação comunicativa em que ele é utilizado. O mesmo assunto pode ser tratado por gêneros diferentes porque cada gênero atende a uma finalidade específica.
Imagine, por exemplo, que o assunto seja uma nova medida adotada pelo governo. O acontecimento pode aparecer em uma notícia, em um editorial, em uma reportagem, em uma postagem de rede social ou em um comentário de leitor.
Embora todos possam abordar o mesmo acontecimento, os textos não terão necessariamente a mesma finalidade. A notícia tende a priorizar a apresentação de informações sobre o fato; o editorial pode defender uma posição institucional; uma postagem pode buscar informar ou provocar interação; e um comentário pode expressar a avaliação de um indivíduo.
Assim, o tema, sozinho, não determina o gênero discursivo. É preciso observar a situação comunicativa e a finalidade do texto.
Exemplos de gêneros discursivos
Os gêneros discursivos estão presentes em praticamente todas as esferas da atividade humana. Alguns exemplos são:
| Gênero | Finalidade predominante | Exemplo de circulação |
|---|---|---|
| Notícia | Informar sobre acontecimentos | Jornais, sites e portais de notícias |
| Entrevista | Obter e divulgar informações ou opiniões | Televisão, rádio, jornais e sites |
| Editorial | Apresentar uma posição institucional | Jornais e revistas |
| Artigo científico | Divulgar resultados ou discussões de caráter científico | Revistas e eventos acadêmicos |
| Propaganda | Divulgar ideias, produtos, serviços ou marcas | Meios de comunicação e plataformas digitais |
| Receita | Orientar a realização de uma atividade | Livros, sites e redes sociais |
| Estabelecer comunicação entre pessoas ou instituições | Ambiente profissional, escolar ou pessoal | |
| Debate | Apresentar e confrontar posições sobre determinado tema | Escola, mídia e eventos públicos |
| Meme | Produzir humor, crítica ou comentário por meio de recursos multimodais | Redes sociais e aplicativos de mensagem |
Gêneros discursivos e multimodalidade
Muitos gêneros contemporâneos não utilizam apenas palavras. Eles combinam diferentes modos de produção de sentido, como texto escrito, imagem, fotografia, som, vídeo, cores, diagramação, movimento e elementos gráficos.
Essa característica é chamada de multimodalidade. Um anúncio publicitário, por exemplo, pode utilizar uma fotografia, uma frase curta, cores específicas, logotipo, música e movimento para produzir uma mensagem.
Por isso, interpretar um gênero multimodal exige observar não apenas o que está escrito, mas também como os diferentes recursos contribuem para a construção dos sentidos.
Exemplo: em um meme, a imagem e o texto verbal podem produzir juntos um efeito de humor. Se o leitor analisar somente as palavras e ignorar a imagem, poderá não compreender completamente a mensagem.
Gêneros discursivos digitais
As transformações provocadas pela internet e pelas tecnologias digitais alteraram significativamente as formas de produção, circulação e recepção dos discursos. Nesse contexto, diversos gêneros passaram a circular em ambientes digitais, enquanto outros surgiram associados às novas práticas comunicativas.
Os gêneros digitais podem apresentar características como interatividade, rapidez de circulação, multimodalidade, possibilidade de compartilhamento e participação simultânea de diferentes usuários.
Entre os exemplos estão:
- Mensagem instantânea;
- Comentário em rede social;
- Postagem;
- Thread;
- Meme;
- Podcast;
- Vídeo curto;
- E-mail;
- Fórum de discussão;
- Publicação em blog.
É importante perceber, entretanto, que a tecnologia não elimina necessariamente os gêneros anteriores. Muitas vezes, ela modifica suas formas de circulação e cria novas possibilidades de interação.
Gêneros discursivos e tipos textuais: não são a mesma coisa
Uma das confusões mais comuns no estudo da linguagem é considerar gêneros discursivos e tipos textuais como conceitos equivalentes. Eles estão relacionados, mas não representam exatamente a mesma categoria.
Os gêneros discursivos são formas socialmente constituídas de comunicação, como notícia, receita, carta, artigo científico, entrevista, anúncio e debate.
Já os tipos textuais correspondem a formas de organização linguística e discursiva mais gerais, como narração, descrição, exposição, argumentação e injunção.
Um mesmo gênero pode apresentar mais de um tipo textual. Uma reportagem, por exemplo, pode narrar acontecimentos, descrever situações, expor informações e apresentar trechos argumentativos.
Gênero discursivo
É uma forma socialmente reconhecida de comunicação.
Exemplos: notícia, receita, entrevista, carta, artigo científico.
Tipo textual
É uma forma geral de organização do texto.
Exemplos: narração, descrição, exposição, argumentação e injunção.
Dica para não confundir
Pergunte: “Estou identificando uma forma social de comunicação ou uma forma de organização linguística?”
Se a resposta for notícia, carta, receita, entrevista ou anúncio, provavelmente estamos diante de um gênero. Se a resposta for narração, descrição, exposição, argumentação ou injunção, estamos tratando de tipo textual.
Gêneros discursivos e gêneros textuais
As expressões gêneros discursivos e gêneros textuais aparecem frequentemente em materiais didáticos como termos próximos ou equivalentes. Entretanto, em determinadas abordagens teóricas, a expressão “gênero discursivo” enfatiza de maneira mais explícita a dimensão social, histórica e interacional dos textos.
Nesse enfoque, o gênero não é analisado apenas pela sua estrutura linguística. É necessário considerar a situação em que o discurso circula, os participantes da interação, a finalidade comunicativa, a esfera social e os sentidos produzidos.
Já a expressão gênero textual é bastante utilizada em estudos voltados para o funcionamento dos textos e para suas características linguísticas e composicionais. Na prática escolar, entretanto, os dois termos podem aparecer próximos, especialmente quando se trabalha com leitura e produção textual.
Atenção
Não é recomendável afirmar simplesmente que “gênero discursivo trata do contexto” enquanto “gênero textual trata apenas da estrutura”. Essa oposição é excessivamente rígida. O mais adequado é compreender que as diferentes terminologias podem destacar enfoques teóricos distintos sobre um mesmo fenômeno de linguagem.
Gêneros discursivos no ensino de Língua Portuguesa
O trabalho com gêneros discursivos aproxima o ensino de Língua Portuguesa das situações reais de uso da linguagem. Em vez de estudar a língua apenas por meio de frases isoladas, o estudante pode observar como diferentes recursos linguísticos funcionam em textos produzidos para finalidades concretas.
Ao trabalhar com uma notícia, por exemplo, o professor pode explorar a organização das informações, as escolhas lexicais, os verbos, os recursos de referenciação e a construção da objetividade. Em um anúncio publicitário, pode analisar estratégias de persuasão, linguagem verbal e não verbal e efeitos de sentido.
Em uma entrevista, pode trabalhar características da oralidade, perguntas e respostas, seleção de informações e relação entre entrevistador e entrevistado. Em um artigo de opinião, pode explorar tese, argumentos, estratégias argumentativas e recursos linguísticos.
Dessa maneira, o estudo dos gêneros permite integrar leitura, análise linguística, produção textual e oralidade, mostrando ao estudante que as escolhas linguísticas estão relacionadas às finalidades e às situações concretas de comunicação.
Gêneros discursivos e competência comunicativa
Conhecer diferentes gêneros amplia a competência comunicativa do estudante porque permite reconhecer as expectativas de diferentes situações de interação e adequar a linguagem ao contexto.
Uma pessoa não escreve um requerimento da mesma maneira que escreve uma mensagem para um amigo. Também não utiliza a mesma linguagem para apresentar um trabalho acadêmico e para fazer uma publicação descontraída em uma rede social.
Isso não significa que uma forma de linguagem seja sempre “melhor” que outra. A adequação depende da situação comunicativa. O que é apropriado em uma conversa informal pode ser inadequado em um documento institucional, e vice-versa.
Ideia fundamental: dominar a linguagem significa também saber adequar o discurso às diferentes situações de comunicação.
Como analisar um gênero discursivo?
Ao encontrar um texto em uma questão de prova ou em uma situação real de comunicação, é possível analisá-lo a partir de algumas perguntas fundamentais.
- Qual é o gênero? Identifique a forma de comunicação utilizada.
- Qual é a finalidade? Descubra o que o produtor pretende realizar por meio do texto.
- Quem produz o texto? Observe o papel social do enunciador.
- Para quem o texto é produzido? Identifique o interlocutor ou público-alvo.
- Onde o texto circula? Observe o suporte e a esfera social.
- Qual linguagem é utilizada? Analise o grau de formalidade, o vocabulário e os recursos empregados.
- Como o texto é organizado? Observe sua construção composicional.
- Quais efeitos de sentido são produzidos? Verifique como as escolhas linguísticas e os recursos multimodais contribuem para a interpretação.
Exemplo de análise: em uma propaganda, podemos identificar o anunciante, o público-alvo, o produto ou ideia divulgada, a finalidade persuasiva, o uso de imagens, slogans, cores, verbos no imperativo e outros recursos utilizados para influenciar o destinatário.
Gêneros discursivos e finalidade comunicativa
A finalidade comunicativa é um dos elementos mais importantes para reconhecer um gênero. Diferentes gêneros podem tratar do mesmo assunto, mas cumprir objetivos distintos.
| Finalidade | Gêneros possíveis |
|---|---|
| Informar | Notícia, reportagem, comunicado |
| Convencer ou persuadir | Publicidade, anúncio, artigo de opinião |
| Orientar | Receita, manual, tutorial, instrução |
| Expressar opinião | Comentário, artigo de opinião, crítica |
| Relatar experiências | Relato, diário, depoimento |
| Estabelecer interação | Conversa, mensagem, e-mail, comentário |
| Produzir conhecimento | Artigo científico, relatório, pesquisa acadêmica |
| Entreter | Conto, romance, história em quadrinhos, meme |
Essa classificação é apenas uma forma de compreender a função predominante de cada gênero. Um mesmo gênero pode desempenhar mais de uma função dependendo da situação em que é utilizado.
Como os gêneros discursivos são cobrados em provas?
Em provas de Língua Portuguesa, a identificação do gênero raramente aparece apenas como uma questão de memorização de definições. Muitas questões apresentam um texto e exigem que o candidato reconheça sua finalidade, público, contexto de circulação, linguagem, estrutura ou efeitos de sentido.
Uma questão pode apresentar uma propaganda e perguntar sobre sua estratégia de persuasão. Outra pode apresentar uma notícia e solicitar a identificação de sua finalidade. Também pode aparecer um texto digital que combine linguagem verbal e imagem, exigindo a compreensão da relação entre esses elementos.
Por isso, estudar gêneros discursivos significa aprender a observar o funcionamento do texto dentro de uma situação comunicativa, e não apenas decorar listas de características.
Estratégia para provas
Ao receber um texto, antes de analisar os detalhes gramaticais, pergunte:
- Quem produziu?
- Para quem?
- Com qual finalidade?
- Onde esse texto circula?
- Qual gênero foi utilizado?
- Que linguagem e recursos foram empregados?
- Que efeito de sentido esses recursos produzem?
Erros comuns no estudo dos gêneros discursivos
| Erro | Como evitar |
|---|---|
| Considerar os gêneros como modelos completamente rígidos. | Compreender que eles possuem relativa estabilidade e podem sofrer transformações. |
| Confundir gênero discursivo com tipo textual. | Diferenciar formas sociais de comunicação de formas gerais de organização textual. |
| Identificar o gênero apenas pela aparência. | Observar finalidade, interlocutores, contexto, suporte e organização. |
| Ignorar a situação comunicativa. | Analisar quem produz o texto, para quem, onde e com qual objetivo. |
| Considerar que todos os gêneros utilizam somente linguagem verbal. | Observar também imagens, sons, vídeos, cores, gráficos e outros recursos multimodais. |
| Memorizar listas sem compreender o funcionamento dos gêneros. | Analisar exemplos concretos e relacioná-los às situações reais de comunicação. |
Resumo sobre gêneros discursivos
- Os gêneros discursivos são formas relativamente estáveis de uso da linguagem em diferentes situações sociais.
- O conceito está associado aos estudos de Mikhail Bakhtin.
- Os gêneros estão relacionados às práticas sociais e históricas de comunicação.
- Os três elementos fundamentais são conteúdo temático, estilo e construção composicional.
- A finalidade, os interlocutores, o contexto, o suporte e a esfera de circulação influenciam o funcionamento do gênero.
- Os gêneros possuem relativa estabilidade, mas podem sofrer transformações históricas e tecnológicas.
- Os gêneros podem ser classificados, na perspectiva bakhtiniana, em primários e secundários.
- Gênero discursivo não é a mesma coisa que tipo textual.
- Os tipos textuais incluem formas como narração, descrição, exposição, argumentação e injunção.
- Um mesmo gênero pode apresentar diferentes tipos textuais em sua composição.
- Os gêneros contemporâneos podem apresentar multimodalidade, combinando texto, imagem, som e outros recursos.
- Conhecer gêneros discursivos contribui para a leitura, a produção textual, a oralidade e a interpretação de textos.
Quiz sobre gêneros discursivos
Quiz — Gêneros Discursivos
Questão 1 — Segundo a perspectiva de Bakhtin, os gêneros discursivos são:
Questão 2 — São elementos fundamentais dos gêneros discursivos:
Questão 3 — A principal diferença entre gênero discursivo e tipo textual é que:
Questão 4 — Na perspectiva de Bakhtin, os gêneros discursivos primários estão principalmente relacionados:
Questão 5 — Uma propaganda combina imagem, texto verbal, cores e outros elementos para persuadir o público. Essa característica demonstra:
Conclusão
Os gêneros discursivos são fundamentais para compreender como a linguagem funciona nas diferentes práticas sociais. Eles não são simplesmente modelos fixos de texto, mas formas relativamente estáveis de interação que se desenvolvem historicamente de acordo com as necessidades comunicativas dos grupos sociais.
Compreender um gênero significa observar mais do que sua estrutura. É necessário considerar seu conteúdo temático, estilo, construção composicional, finalidade, interlocutores, contexto de circulação e recursos utilizados para produzir sentidos.
O estudo dos gêneros também permite compreender melhor a diferença entre gêneros discursivos e tipos textuais. Enquanto os gêneros correspondem a formas sociais de comunicação, os tipos textuais representam formas mais gerais de organização do discurso e podem aparecer combinados dentro de um mesmo gênero.
Por fim, conhecer os gêneros discursivos amplia a capacidade de interpretar e produzir textos em diferentes situações. Esse conhecimento é importante tanto para a participação efetiva nas práticas sociais de linguagem quanto para o desempenho em avaliações escolares, vestibulares, concursos e no ENEM.
Perguntas frequentes sobre gêneros discursivos
O que são gêneros discursivos?
São formas relativamente estáveis de uso da linguagem constituídas historicamente nas diferentes situações e práticas sociais de comunicação.
Quem desenvolveu o conceito de gêneros discursivos?
O conceito está associado principalmente aos estudos de Mikhail Bakhtin, que compreendeu os gêneros como formas de enunciados relacionadas às diferentes atividades humanas.
Quais são os três elementos dos gêneros discursivos?
São conteúdo temático, estilo e construção composicional. Esses elementos estão relacionados às condições concretas de cada situação comunicativa.
O que são gêneros discursivos primários?
São gêneros constituídos principalmente em situações mais imediatas e cotidianas de comunicação, como conversas, diálogos e determinados recados e mensagens pessoais.
O que são gêneros discursivos secundários?
São gêneros mais complexos, geralmente constituídos em esferas sociais organizadas, como a literatura, a ciência, o jornalismo e a academia.
Qual é a diferença entre gênero discursivo e tipo textual?
O gênero discursivo corresponde a uma forma socialmente reconhecida de comunicação, como notícia, receita ou entrevista. O tipo textual corresponde a uma forma geral de organização do discurso, como narração, descrição, exposição, argumentação e injunção.
Gênero discursivo e gênero textual são a mesma coisa?
Os termos podem ser utilizados de maneira próxima em diferentes abordagens, mas “gênero discursivo” costuma enfatizar de forma mais explícita os aspectos sociais, históricos e interacionais da linguagem. A diferença depende da perspectiva teórica adotada.
Um gênero discursivo pode mudar?
Sim. Os gêneros apresentam relativa estabilidade, mas podem sofrer transformações conforme mudam as práticas sociais, culturais e tecnológicas.
O que é multimodalidade nos gêneros discursivos?
É a utilização combinada de diferentes modos de produção de sentido, como linguagem verbal, imagens, sons, vídeos, cores, gráficos e outros recursos.
Por que estudar gêneros discursivos?
Porque esse estudo ajuda a compreender como a linguagem funciona em diferentes situações sociais, melhora a leitura e a produção textual e contribui para a resolução de questões de interpretação em avaliações, vestibulares, concursos e no ENEM.
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Referências
- BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 6. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
- BAKHTIN, Mikhail. Os gêneros do discurso. In: BAKHTIN, Mikhail. Estética da criação verbal. 6. ed. São Paulo: WMF Martins Fontes, 2011.
- MARCUSCHI, Luiz Antônio. Gêneros textuais: definição e funcionalidade. In: DIONÍSIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (org.). Gêneros textuais & ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.
- MARCUSCHI, Luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola Editorial, 2008.
- DIONÍSIO, Angela Paiva; MACHADO, Anna Rachel; BEZERRA, Maria Auxiliadora (org.). Gêneros textuais & ensino. São Paulo: Parábola Editorial, 2010.
- KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Gêneros textuais. In: KOCH, Ingedore Villaça; ELIAS, Vanda Maria. Ler e compreender: os sentidos do texto. São Paulo: Contexto, 2018.
- BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular: Educação é a Base. Brasília: MEC, 2018.
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