Concordância Verbal e Nominal: Regras, Casos Especiais e Exemplos
A concordância verbal e nominal é o pilar de sustentação sintática da língua portuguesa. Ela garante que as palavras de uma frase "conversem" entre si, flexionando-se em gênero, número e pessoa para formar um enunciado lógico e coeso.
Dominar essas regras é indispensável não apenas para gabaritar questões objetivas, mas principalmente para garantir a nota máxima na Competência I da redação do ENEM e nas provas discursivas de vestibulares exigentes, como o PAES UEMA. Desvios de concordância estão entre os erros mais penalizados pelos corretores.
A Regra Geral:
- Verbal: O verbo sempre concorda em número (singular/plural) e pessoa (1ª, 2ª, 3ª) com o núcleo do sujeito.
- Nominal: Artigos, adjetivos, pronomes e numerais concordam em gênero (masculino/feminino) e número com o substantivo a que se referem.
Concordância Verbal: Casos Especiais e Pegadinhas
Embora a regra básica afirme que o verbo acompanha o núcleo do sujeito, existem construções sintáticas que costumam gerar dúvidas. Veja as principais:
1. Sujeito Composto
A posição do sujeito em relação ao verbo muda a regra de concordância:
Sujeito ANTES do verbo (Anteposto):
O verbo vai obrigatoriamente para o plural.
Ex: O aluno e o professor chegaram.
Sujeito DEPOIS do verbo (Posposto):
O verbo pode ir para o plural OU concordar com o núcleo mais próximo (concordância atrativa).
Ex: Chegaram o aluno e o professor. / Chegou o aluno e o professor.
2. Verbos Impessoais (Haver e Fazer)
Verbos impessoais não possuem sujeito. Portanto, eles devem permanecer sempre na 3ª pessoa do singular.
Atenção máxima em provas:
- Haver no sentido de existir ou ocorrer: Há muitas vagas. / Houve problemas. (Nunca diga "Houveram problemas").
- Fazer indicando tempo decorrido ou clima: Faz dois anos que me formei. (Nunca diga "Fazem dois anos").
3. Expressões Partitivas (A maioria de, grande parte de)
Quando o sujeito é formado por uma expressão partitiva seguida de um substantivo no plural, o verbo pode ficar no singular (concordando com a expressão) ou ir para o plural (concordando com o substantivo). Ambas as formas estão corretas!
A maioria dos candidatos foi aprovada. (Foco na expressão "maioria")
A maioria dos candidatos foram aprovados. (Foco nos "candidatos")
4. A partícula "SE"
- Partícula Apassivadora: Liga-se a verbos transitivos diretos. O verbo concorda com o sujeito paciente.
Ex: Vende-se apartamento. / Vendem-se apartamentos. - Índice de Indeterminação do Sujeito: Liga-se a verbos transitivos indiretos ou intransitivos. O verbo fica sempre no singular.
Ex: Precisa-se de funcionários. / Confia-se em pessoas honestas.
Concordância Nominal: Regras Essenciais
A concordância nominal exige atenção aos "satélites" do substantivo. Veja os casos que mais geram confusão na escrita:
1. Um Adjetivo para Vários Substantivos
- Adjetivo depois dos substantivos: Vai para o plural e assume o gênero masculino (se houver pelo menos um substantivo masculino) OU concorda com o mais próximo.
Ex: Comprou carro e moto novos. / Comprou carro e moto nova. - Adjetivo antes dos substantivos: Concorda obrigatoriamente com o substantivo mais próximo.
Ex: Escolheu péssima hora e lugar. / Escolheu péssimo lugar e hora.
2. Expressões "É proibido", "É necessário", "É bom"
A regra depende da presença de um artigo ou pronome determinando o sujeito:
| Estrutura | Regra | Exemplo |
|---|---|---|
| Sem determinante (artigo) | Invariável (Masculino Singular) | É proibido entrada de estranhos. / Cerveja é bom. |
| Com determinante (a/as, esta) | Variável (Concorda com o sujeito) | É proibida a entrada. / Esta cerveja é boa. |
3. Palavras Variáveis x Invariáveis (Meio, Bastante, Menos)
- Meio: Quando significa "metade" (numeral), varia: Bebeu meia garrafa. Quando significa "um pouco" (advérbio), é invariável: A aluna está meio cansada. (Nunca diga "meia cansada").
- Bastante: Quando significa "muito" qualificando verbo/adjetivo (advérbio), é invariável: Elas estudaram bastante. Quando qualifica substantivo, varia: Havia bastantes questões na prova. (Dica: troque por "muitos/muitas").
- Menos / Alerta: São palavras SEMPRE invariáveis. (Nunca diga "menas pessoas" ou "alertas").
Aplicação na Redação do ENEM e Vestibulares:
Ao revisar seu rascunho, preste muita atenção nas frases em que o sujeito está distante do verbo, separado por vírgulas ou orações explicativas. É nesses distanciamentos que os alunos costumam esquecer o plural!
Ex: Os desafios estruturais do país, agravados pela falta de investimento ao longo das últimas décadas, precisam (e não "precisa") ser enfrentados.
Quiz — Concordância Verbal e Nominal
Resumo de Concordância
- Verbo e Sujeito: O verbo sempre concorda com o núcleo do sujeito em número e pessoa. Cuidado com frases longas onde o sujeito fica distante!
- Haver e Fazer: Com sentido de existir ou tempo decorrido, são impessoais. Ficam na 3ª pessoa do singular.
- O uso do "SE": Vende-SE casa (singular) / Vendem-SE casas (plural) = Partícula Apassivadora. Precisa-SE de ajuda (singular) = Indeterminação do sujeito.
- Meio, Menos, Alerta: Menos e Alerta são invariáveis. Meio só varia se indicar "metade de algo".
- É bom, É proibido: Só variam para o feminino se o substantivo for precedido de artigo (ex: É proibido entrada / É proibida a entrada).
Perguntas frequentes sobre concordância (FAQ)
O correto é "Meio-dia e meio" ou "Meio-dia e meia"?
O correto é meio-dia e meia. A palavra "meia" está concordando com a palavra oculta "hora" (metade de uma hora).
Pode-se dizer "Fazem cinco anos"?
Não. O verbo "fazer", quando indica tempo decorrido, é impessoal e não possui plural. O correto é sempre "Faz cinco anos".
A palavra "obrigado" concorda com quem fala?
Sim! A palavra concorda com o gênero de quem está falando. Um homem diz obrigado; uma mulher diz obrigada.
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Referências bibliográficas
- BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. 39. ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2019.
- CEGALLA, Domingos Paschoal. Novíssima Gramática da Língua Portuguesa. 49. ed. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2020.
- CUNHA, Celso; CINTRA, Lindley. Nova Gramática do Português Contemporâneo. 7. ed. Rio de Janeiro: Lexikon, 2017.
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