5 possíveis temas da redação da UEMA PAES 2026

Contexto e relevância

A redação do Processo Seletivo de Acesso à Educação Superior (PAES) da Universidade Estadual do Maranhão (UEMA) costuma propor reflexões profundamente ligadas à realidade social, cultural e política do país — com destaque para questões que envolvem valores humanos, justiça social e identidade regional. Nos últimos anos, os temas selecionados revelam uma tendência de valorização de debates contemporâneos e formadores de cidadania, o que orienta as apostas para o exame de 2026.

Além disso, a UEMA historicamente busca temas que dialogam com o cotidiano da população maranhense e com desafios sociais urgentes. Isso significa que, mesmo quando o tema aparenta ser filosófico ou abstrato, ele sempre mantém relação com a vida em sociedade, com políticas públicas e com a formação cidadã. Essa característica ajuda os candidatos a identificar por onde começar a argumentação e quais referências podem enriquecer a redação.

Temas anteriores

  • 2023: “A literatura de ficção é fonte para entendimento da realidade?”
  • 2024: “O que é ser livre, em pleno século XXI?”
  • 2025: “Justiça social: uma condição de trajetória humana ou uma ‘viagem em vão’?”

Esses temas revelam a inclinação da UEMA em propor reflexões éticas, filosóficas e culturais que envolvem o papel do ser humano e da sociedade contemporânea. Ao observar esse histórico, percebe-se que o PAES valoriza temas que permitem múltiplos recortes argumentativos — filosóficos, sociológicos, históricos, literários e regionais. Portanto, estudar repertórios diversos e compreender o contexto maranhense é essencial para uma boa preparação.

5 possíveis temas da redação da UEMA PAES 2026

1. Quebradeiras de coco-babaçu: cultura, trabalho e territorialidade no Maranhão

O tema das quebradeiras de coco-babaçu é uma das apostas mais fortes para o PAES 2026. A UEMA tem desenvolvido projetos de extensão e firmado parcerias com associações dessas trabalhadoras, reconhecendo sua importância na preservação cultural e ambiental. Uma redação sobre esse assunto poderia discutir a valorização dos saberes tradicionais, a luta pelo direito de acesso aos babaçuais, o papel das mulheres na economia local e a necessidade de políticas públicas voltadas à sustentabilidade e à autonomia dessas comunidades.

Sugestões de abordagem:

  • Dimensão socioeconômica: o babaçu como fonte de renda, trabalho feminino e economia solidária.
  • Dimensão cultural: transmissão de saberes tradicionais, músicas, rituais e práticas coletivas.
  • Dimensão ambiental: preservação dos babaçuais, extrativismo sustentável e impacto das queimadas.
  • Dimensão política: legislação sobre livre acesso ao coco, lutas do MIQCB e direitos territoriais.

Exemplo de repertório: dados do IBGE sobre extrativismo no Maranhão; documentários sobre comunidades extrativistas; projetos da UEMA e do MIQCB.

2. Gênero, poder simbólico e autonomia feminina

Este tema dialoga diretamente com as obras obrigatórias do PAES 2026 — especialmente As Meninas e Entre a Espada e a Rosa — ao problematizar como normas sociais, expectativas culturais e discursos de poder impõem limites à liberdade das mulheres. É uma proposta que convida à reflexão sobre violência simbólica, controle emocional e os meios para conquista da autonomia feminina na sociedade contemporânea.

Sugestões de abordagem:

  • Conceito de violência simbólica: explicar o que é e como se manifesta no cotidiano, sem necessariamente envolver agressão física, mas por meio de discursos, imposições de papéis de gênero e silenciamentos.
  • Perspectiva literária: usar trechos de As Meninas para ilustrar como as personagens vivem sob controle emocional, familiar ou social; e em Entre a Espada e a Rosa, analisar a simbologia da “espada” e da “rosa” como metáforas da força e da fragilidade impostas.
  • Dimensão social: relacionar com dados reais sobre desigualdades de gênero, discriminação no trabalho, divisão de poder no ambiente familiar e institucional.
  • Estratégias de emancipação: discutir educação para a igualdade de gênero, redes de apoio, políticas públicas e movimentos de empoderamento que promovam a autonomia emocional, social e econômica.

Exemplos: programas escolares de ensino sobre identidade de gênero, ONGs que oferecem suporte psicológico a mulheres em situação de controle emocional, campanhas que incentivem a conscientização sobre papéis de gênero e educação para a autonomia.

3. Liberdade individual e coletividade: os limites do agir em sociedade no século XXI

Após os temas sobre liberdade (2024) e justiça social (2025), é coerente que a banca explore a tensão entre direitos individuais e deveres coletivos. O candidato poderia discutir o equilíbrio entre liberdade de expressão, ética, convivência democrática e responsabilidade social, especialmente em contextos digitais e políticos.

Sugestões de abordagem:

  • Liberdade de expressão: limites éticos quando o discurso fere direitos humanos.
  • Fake news e redes sociais: como a desinformação prejudica a coletividade e compromete a democracia.
  • Direitos x deveres: quando o interesse pessoal viola normas de convivência social (ex.: vacinação, trânsito, políticas ambientais).
  • Referências teóricas: Rousseau (contrato social), Hannah Arendt (esfera pública) e Zygmunt Bauman (modernidade líquida) como recursos para embasar argumentos.

Exemplo concreto: debates recentes sobre regulação das redes sociais e a responsabilização por disseminação de conteúdo falso.

4. Meio ambiente, saberes locais e novos desafios para a sustentabilidade

Com o agravamento das crises climáticas, o debate ambiental tende a se intensificar nos vestibulares. Um tema sobre sustentabilidade que valorize práticas tradicionais — como o manejo dos babaçuais e outros conhecimentos comunitários — permitiria ao candidato articular ciência, cultura e cidadania ecológica, apresentando soluções práticas e educativas para a preservação ambiental.

Sugestões de abordagem:

  • Saberes tradicionais: pescadores artesanais, ribeirinhos, quilombolas e povos indígenas como guardiões de práticas sustentáveis.
  • Cidade e campo: impactos da urbanização desordenada no Maranhão e propostas de planejamento ambiental integrado.
  • Educação ambiental: escolas e universidades como agentes formadores de consciência ecológica e práticas sustentáveis.
  • Ciência e política: dados sobre desmatamento, seca, erosão e queimadas; políticas de incentivo ao manejo sustentável e à economia circular.

Exemplo: projetos de reflorestamento com espécies nativas, experiências de manejo comunitário e iniciativas de agroecologia no estado.

5. Educação intercultural e valorização das comunidades tradicionais no Maranhão

Esse tema se alinha à atuação da UEMA em projetos de extensão voltados para povos tradicionais e comunidades rurais. A redação poderia discutir como a educação pode integrar saberes locais, respeitar identidades culturais e contribuir para o desenvolvimento sustentável e social do estado.

Sugestões de abordagem:

  • Interculturalidade nas escolas: inclusão de conteúdos sobre povos tradicionais, história local e diversidade linguística no currículo.
  • Valorização da identidade cultural: preservação de festas, rituais, artesanato e práticas comunitárias como patrimônio imaterial.
  • Presença feminina: reconhecimento das mulheres como líderes comunitárias e agentes de transmissão do saber local.
  • Políticas públicas: programas de formação docente, parcerias entre UEMA e redes de ensino, atuação de ONGs e coletivos locais.

Exemplo: escolas rurais que utilizam metodologias baseadas na cultura local para fortalecer a aprendizagem e o vínculo comunitário; programas de formação que valorizam a língua e os saberes locais.

Considerações finais

Os possíveis temas da redação da UEMA PAES 2026 reforçam o perfil reflexivo e socialmente engajado do exame. O estudante que busca se preparar deve estar atento a questões regionais, culturais e ambientais, além de desenvolver uma escrita crítica e propositiva. Treinar com esses temas é uma excelente forma de consolidar repertórios, aprimorar a argumentação e compreender as pautas que marcam o debate público no Maranhão e no Brasil contemporâneo.


Referências

UEMA. Portal Oficial. Notícias sobre projetos de extensão e acordos com associações de quebradeiras de coco-babaçu. Acesso em 11/11/2025.

Estratégia Vestibulares. Temas de redação da UEMA PAES 2023–2025. Disponível em: vestibulares.estrategia.com.

MIQCB – Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu. Cartilha de Direitos e Organização Social. Acesso em 2025.

IBGE; ANA. Estudos sobre sustentabilidade e extrativismo no Maranhão. Relatórios de 2023–2024.

BNCC. Competências gerais de Linguagens e Ensino Médio. MEC, 2018.

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